As Olimpíadas de Tóquio começaram! Hoje foi a cerimônia de abertura, mas e o ballet? Será que ele tem olímpiadas? É sobre isso que vou falar neste post de hoje!

1. Ballet é esporte?

Já vi gente falar que ballet não é esporte e que se fosse estaria nas Olimpíadas! Eu também tinha a visão de que ballet não é esporte, mas uma arte. Não enxergava como esporte de jeito nenhum! E talvez tenha muito bailarino que encare isso com uma ofensa! Calma que eu vou explicar tudinho!

Pera lá! Primeiro, nem todo esporte está nas Olimpíadas. Inclusive, para as Olimpíadas de 2024, alguns esportes vão ser excluídos da competição, e outros, incluídos. (Quer dizer que, saiu das Olimpíadas, deixou de ser esporte, então?) E, para a supresa de quem não encara a dança como um esporte sob esse argumento, uma das modalidades que vão ser incluídas na Olimpíadas de 2024 de Paris é o BREAK DANCE! Aqui está uma breve reportagem que fala dessa lista de esportes incluídos e excluídos, para quem tiver a curiosidade. Ora, ora! A dança como esporte olímpico!

A escolha pelo Break Dance se deu porque Thomas Bach, o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI),tem a intenção de tornar as Olimpíadas um evento de maior apelo à juventude e os membros do COI se impressionaram com a popularidade desta modalidade de dança entre os jovens nos Jogos Olímpicos da Juventude em Buenos Aires em 2018.

Se é um novo passo com algum significado para o ballet, ainda não sei. Se o caso é de colocar esportes populares entre os jovens, minha missão na internet com o ballet é essa: popularizar – fazer com que mais gente conheça (não só os jovens) e se APAIXONE pelo ballet!

Dito isso, e o ballet? É esporte?

Para responder essa questão, vou recorrer a um conceito bem simples de esporte:

 “Esporte é uma forma atividade física praticada com finalidade recreativa, educativa, sociocultural, profissional ou como meio de melhorar a saúde.”

Então, ballet seria esporte SIM! Não me matem! Rs! Mas pense em tudo o que você considera esporte se uma bailarina profissional não é uma atleta: em todas as horas envolvidas praticando essa atividade física, com todas as regras dos movimentos que devem ser obedecidas, com todas as regras de respeito, com o cuidado com o corpo, com o psicológico, com a alimentação, com a saúde….

Não estou dizendo que é apenas esporte, mas, assim, como Ana Botafogo em seu livro “Na Magia do Palco”, afirmo que o bailarino é um pouco atleta e um pouco artista sim! Trabalhamos a mente, a musicalidade, a coordenação motora, a resistência, a força, a leveza, a flexibilidade, a postura… tanta coisa junta que a gente ama! Somos artistas E somos atletas! Na dança, uma coisa precisa da outra! Um bailarino sendo auxiliado por outros profissionais como nutricionistas, preparadores físicos, fisioterapeutas, dança muito melhor, não é? E um atleta não precisa disso tudo?

E um outro detalhe: veja que a definição de esporte não inclui apenas quem pratica de forma profissional! Pensemos também que assim como um jogador de futebol é um atleta, a bailarina profissional também é, aquele que joga futebol por hobby, pode não ser um atleta, mas está praticando um esporte, a mesma coisa se aplica ao ballet. Se você não dança numa companhia profissional você pode não ser uma atleta, mas se faz ballet por hobby ou por amor, mais que uma dança, você está sim praticando um esporte! E não encare isso como uma ofensa! Apenas que você está praticando uma “atividade física com finalidade recreativa, educativa como forma de melhorar a sua saúde!”

Um fato curioso é que houve um estudo de Tim Watson, fisioterapeuta e professor da Universidade de Hertfordshire, no Reino Unido comparando ballet x natação, em termos de condicionamento físico. Quase todo mundo costuma falar que a natação é o esporte mais completo de todos, mas nessa comparação, entre 10 quesitos, o ballet venceu 3, e a natação, apenas 3.

Pontos para o ballet! Ele se mostrou mais efetivo que a natação em diversos aspectos! É claro, se você gosta de natação, vá nadar! rs! Um fato curioso sobre mim é que eu fui uma criança que sofri muito com problemas respiratórios, a bronquite asmática foi um grande problema na minha infância! Os médicos me recomendavam o tempo todo a natação. Eu até cheguei a fazer, mas quando entrei no ballet, troquei a natação pela minha arte. Não que nadar seja ruim, só não ganhou o mesmo espaço no meu coração que o ballet. Hoje, acredito que, por conta da imunidade, alimentação, e uma vida toda com o exercício físico do ballet, não sofro mais com crises respiratórias! E até hoje quando pulo na piscina ou no mar, seguro a mão no nariz para não entrar água.

O fato é que, a natação é também um excelente esporte, mas esse estudo é mais um indício que qualifica a nossa arte como também um esporte! Ballet é esporte SIM!

Vou terminar esse tópico com o vídeo da Tamires Reis que fala sobre o assunto:

No próximo tópico vocês vão ver que existe até uma Olimpíadas do ballet!

2. História da Competição Internacional de Ballet de Varna – As Olímpiadas do Ballet

Dita toda essa confusão sobre se o ballet é esporte ou não, vamos falar das Olimpíadas do Ballet? SIM! Ela existe! A competição mais prestigiada e mais antiga do ballet que é considerada pela Comunidade do Ballet como a Olímpiada do Ballet! Ela se chama “International Ballet Competition of Varna” e a sua primeira edição aconteceu em 1964. Dela participou a bailarina brasileira Eleonora Oliosi a convite do Corpo Diplomático do Itamaraty. Ela foi a primeira bailarina brasileira a participar de uma competição internacional de ballet.

O concurso de Varna foi criado em 1964 e ocorreu entre os dias 2 a 13 de julho no Open-Air Theatre de Varna, na Bulgária e sua primeira edição já foi um super sucesso em organizão e em realizações artísticas. Pela primeira vez, as grandes estrelas do ballet se reuniram num único lugar. Na ocasião a bailarina Galina Ulanova esteve na presidência do júri da competição e o bailarino Vladimir Vasiliev ganhou o Grand Prix da competição – ele é o único titular desse prêmio.

Anos depois, começaram a surgir eventos de ballet nos mesmos moldes. Mas é o único que ficou conhecido por “Olimpíadas do Ballet”. Com muito prestígio e popularidade, ao longo de 50 anos, suas 25 edições registraram o maior número de competidores – mais de 2.500 bailarinos de 40 países. Abaixo, todos os anos que já aconteceram a competição. Normalmente, são os anos pares que ela acontece, a cada 2 anos , mas, pode ser que não aconteça sempre assim, como no ano passado, em 2020, que não aconteceu e não houve uma remarcação. Vamos esperar para que tudo normalize e tenhamos a de 2022.

A popularidade do concurso é tanta que há uma definição da mídia francesa que diz que “qualquer bailarino premiado em Varna já tem uma prosperidade garantida no balé profissional. Mesmo os não premiados, ao regressarem de Varna, já são consideravelmente mais populares nos seus próprios países.”

Durante o Concurso também ocorrem eventos concomitantes, entre os quais a tradicional “International Summer Ballet Academy” com aulas de ballet clássico, técnicas contemporâneas e jazz. Pedagogos mundialmente famosos da França, Grã-Bretanha, Rússia, Dinamarca, EUA, Holanda, etc. estão sendo convidados a ensinar.

O fundador da competição é Emil Dmitrov, que tem dois mestrados no Conservatório Estatal Búlgaro “Pancho Vladigerov” – um em pedagogia musical (1951) e outro em direção (1954) . Em 1992 ele criou a Fundação Varna International Ballet Competition, em que por meio de doações, mantém a existência da competição.

Em 1965, Natalia Makarova ganhou a medalha de ouro; em 1966, Mikhail Baryshnikov venceu a competição na categoria junior; em 1983, Sylvie Guillem ganhou o Prêmio Especial da Organização Juvenil de Varna, também na divisão junior.

Para que aqui não fique tão grande, eu vou deixar o link do site da competição aqui para que vocês possam conhecer mais.

3. Como funciona a Competição

São duas categorias: a Categoria A Senior e a Categoria B Junior. Na Junior podem competir bailarinos entre 15 e 19 anos; na senior, de 20 até 26 anos.

Na primeira fase, é uma dança clássica obrigatória. Os bailarinos devem escolher entre executar um pas de deux ou 2 variações do repertório obrigatório.

Na segunda fase, os bailarinos devem dançar obrigatoriamente 2 coreografias não executadas na primeira fase em uma única noite. Devem escolher entre um pas de deux ou 2 variações do repertório clássico criadas até o final do século XIX E um trabalho contemporâneo coreografado nos últimos 5 anos, não podendo exceder 6 minutos.

Na terceira fase, os competidores devem apresentar 2 coreografias, não dançadas nas fases anteriores, que vão ser apresentadas na mesma noite. Deve atender os mesmos requisitos da fase anterior; ou seja: devem escolher entre um pas de deux ou 2 variações do repertório clássico criadas até o final do século XIX E um trabalho contemporâneo coreografado nos últimos 5 anos, não podendo exceder 6 minutos.

Para ler as regras, vou deixar a parte do site que fala delas aqui.

A última competição de Varna que tivemos foi em 2018 (abaixo, um vídeo da gala dos vencedores).

A de 2016 tivemos uma vencedora brasileira, Amanda Gomes, e é sobre ela que vou falar no próximo tópico.

4. A Brasileira que venceu a Competição Internacional de Ballet de Varna

Amanda Gomes foi a última bailarina brasileira até o momento em que eu estou escrevendo esse post a ganhar a medalha de ouro na Competição Internacional de Varna. Ela se formou na Escola do Teatro Bolshoi do Brasil e hoje é Primeira Bailarina da Ópera de Kazan, na Rússia, tendo sido promovida em 2017.

Amanda nasceu no dia 21 de julho de 1995 e é natural de Goiânia. Foi lá onde, aos 7 anos, começou a ter as suas primeiras aulas de ballet clássico. Aos 10 se mudou sozinha para Joinville, após passar para uma audição da Escola do Teatro Bolshoi do Brasil, onde se formou. Foi a bailarina mais jovem ao se graduar: pulou de séries, e se concluiu sua formação aos 16 anos.

Antes mesmo de conquistar a sua premiação em Varna, já tinha uma série de outras, como a International Ballet Competition nos EUA em 2010; em, 2012, o Festival de Dança de Goiás de 2012 e a Competição Internacional de Ballet em Istambul, na Turquia. Aos 18 anos, em 2013 venceu o YAGP de NY. Amanda tem muitas outras conquistas, mas eu vou deixar um link falando mais sobre ela aqui. Inclusive, a Forbes a incluiu entre os 30 destaques do Brasil abaixo dos 30 anos!

Em 2014 foi contratada pela Ópera de Kazan na Rússia como solista e em 2017! Voa Amanda!

Abaixo, vou deixar um vídeo dela dançando o pas de deux de Laurencia quando ela participou de Varna em 2016! Mas quem pesquisar no YouTube vai ver vários vídeos dela!

E era isso por hoje!

Quem aí gostou de saber sobre as Olimpíadas do Ballet?

Vejo vocês no próximo post!