Olá bailarinos e bailarinas que acompanham o Tutu da Ju!

Hoje resolvi fazer um post direcionado a bailarinas iniciantes que querem ter a experiência de dançar repertório. Muitas vezes uma bailarina iniciante pode se sentir insegura e achar que nunca vai conseguir dançar um solo, uma variação de repertório por achar que nunca vai ter técnica suficiente ou mesmo coragem suficiente. E isso, de certa forma é norma, pois gostamos de ver Dianas, Esmeraldas, Odiles… e por aí vai, no palco. Mas, calma, que o ballet de repertório vai muito além de giros e pernas altas! Tem muita coreografia a ser explorada!

Portanto, se você pensa assim, pode parar agora! Porque eu separei aqui uma lista de coreografias de ballets de repertório que você vai poder dançar! E digo mais: dançar repertório é uma ótima forma de você ter a experiência de encarar o palco sozinha, trazendo mais maturidade e mais naturalidade para se apresentar, desenvolver novas habilidades técnicas e artísticas do ballet e, além disso, conhecer novos personagens e novas histórias de repertório.

Vocês devem lembrar que, antes de dançar Paquita, eu só tinha dançado um solo na vida, o da Fada Miguê, que tinha sido DEZ ANOS antes! SIM! Eu esperei DEZ ANOS para subir no palco sozinha porque achava que eu nunca seria capaz. Mas, se eu tivesse escolhido todo ano um solo diferente, com diferentes exigências de habilidades, eu com certeza teria me desenvolvido mais no ballet e teria ganho mais confiança. A gente às vezes acha que precisa de confiança para subir no palco sozinha e nunca achamos que estamos preparadas para fazer isso. Mas a verdade é que, quanto mais a gente se apresenta, mais a gente vai se sentindo confiante para dançar.

Então, por isso eu decidi fazer uma listinha de solos e um duo que você pode escolher para dançar. E, inclusive, você, bailarina adulta, que está me lendo, também pode tratar de se incluir nessa! Ballet adulto também pode dançar solo de repertório! E, se tiver meninos bailarinos me lendo, também tem coisa para vocês! Então, quando tiver alguma apresentação na sua escola, você pode conversar com o seu professor de ballet para começar a ensaiar e dançar.

É claro que essa lista é apenas uma sugestão. Pode ser que juntos, você e seu professor, escolham algum outro que não está nessa lista. Pois devem existir uma infinidade de outras coreografias. E, saiba também, que para dançar um solo de repertório você vai precisar de muiiito ensaio, com pelo menos alguns meses de antecedência. Então, quando você pensar em dançar um solo, já vai conversar com o seu professor (SIM! Você não precisa necessariamente esperar ele te escolher – eu PEDI para dançar o solo de Paquita – mas também não pressione o seu professor!), que quando a gente começa a ensaiar, a gente não imagina a quantidade de detalhes que pode ter para corrigir e melhorar! Mas, é muito gratificante ter essa experiência.

Vamos à lista! Vou deixar um vídeo de cada uma delas.

1. Variação do Cupido

Essa coreografia está no segundo ato do Ballet Don Quixote. É o ato do sonho, em que o Don Quixote sonha com a sua amada Dulcinéia e o Cupido está lá entre as Dríades. A dificuldade dessa variação está nos balances e na parte artística. E o “grand jeté” dela é pequeno, não é feito com as pernas em 180 graus. É um amorzinho de variação.

2. Variação da Princesa Florine/Pássaro Azul

Essa variação é muiiiito dançada por bailarinas iniciantes. Sua dificuldade está na parte artística. Ela está inserida dentro do ballet “A Bela Adormecida”. A Princesa Florine é a variação feminina e o Pássaro Azul é a variação masculina. Isso porque a Princesa Florine é quem escuta o pássaro azul, e isso nos faz entender o uso das mãos e dos braços na coreografia.

Outro detalhe, caso vocês não saibam, é que muitas das variações que dançamos são partes dos grand pas de deux do ballet. A de Princesa Florine e a do Pássaro Azul, são exemplos, bem como a de Satanella que eu dancei ano passado, e a de Paysant do ballet Giselle e muitas outras.

Para quem não sabe, já expliquei no post sobre os ballets de Petipá, o grand pas de deux tem uma estrutura que vocês vão observar a partir de agora:

  1. Entrée – a entrada do casal. Podem ser que entrem no palco juntos ao mesmo tempo ou em momentos diferentes. A entrada é o início da coreografia do grand pas de deux.
  2. Adágio – é a dança do pas de deux, do casal juntos. Petipá vai inserir no que já existia de pas de deux, mais virtuosismo – mais pegadas, balances, giros… O bailarino vai servir de suporte para a bailarina. No pas de deux, é importante que cada um saiba o seu devido lugar.
  3. Variação Masculina – é o solo do homem. Como dito antes, o homem também terá o seu destaque. Neste momento ele vai dançar sozinho, sem a presença da bailarina.
  4. Variação Feminina – é o solo da mulher. A mulher também vai brilhar e é este o momento dela mostrar todo o seu talento artístico. Também dançará sozinha no grand pas de deux, mas após o homem.
  5. Coda – é a parte final do grand pas de deux. Normalmente é neste momento em que há uma sequência de saltos e giros e é aqui que a bailarina realiza os 32 fouettés.

Então, a variação feminina e masculina estão dentro do grand pas de deux. Por isso, um grand pas é tão grande. E, em apresentações, festivais e concursos por aí, também vemos apenas a variação de forma isolada. Logo, caso você queira, também pode escolher apenas a variação de dentro do pas de deux para dançar.

Fiz um “parênteses” meio grandinho para vocês entenderem isso.

Dedico essa parte post ao Luiz do @dancecomluiz e, não sei se você vai ler, quero te ver dançando a variação masculina do pássaro azul! Pronto falei! rs. Vamos à próxima da lista.

3. Variação de Peasant/Paysant

A coreografia é na verdade mais um grand pas de deux, ou seja: meninos e meninas podem escolher a variação que faz parte dele para dançar. No post sobre o ballet Giselle expliquei que esse grand pas surgiu porque uma bailarina do corpo de baile achava que merecia mais destaque do que ela realmente tinha. O pas de deux foi criado e está no ballet até hoje. Por isso que, quando assistimos o ballet Giselle podemos ter a sensação que ele está ali “meio aleatório” dentro do primeiro ato ballet.

Fato é que é uma variação muito dançada por iniciantes. Lembro de um festival interno da minha escola da época que era chuva de “peasant”. Abaixo vou colocar duas versões de variações femininas e duas versões do grand pas completo. Os giros podem ser adaptados para estudo conforme for a dificuldade da bailarina iniciante.

4. Variação do Casamento de Coppélia

Essa variação faz parte do 3º ato do ballet Coppélia, quando finalmente Swanilda consegue se casar com Franz. É mais uma que faz parte do grand pas de deux. Abaixo vou deixar o vídeo da variação e do grand pas completo.

5. Variação da Boneca Espanhola de Coppelia

Essa variação ocorre no 2º ato do ballet, dentro da casa do Dr Coppelius, quando Swanilda se passa pela boneca Coppélia e faz uma dança espanhola. No vídeo abaixo, vocês podem ver Natalia Osipova dançando lindamente. A prova que as boas bailarinas também fazem o “simples” bem feito. Ela é uma variação ótima para iniciantes, que trabalha o artístico da bailarina e a musicalidade. Além disso, o leque é um ítem obrigatório da variação, o que pode trazer uma nova experiência à bailarina.

6. Variação da Aurora do 3º Ato

Essa coreografia é da Princesa Aurora, papel da Primeira Bailarina, mas que mesmo assim, pode ser dançada por iniciantes. Também é uma variação que trabalha o lado artístico (notem a graciosidade e o trabalho de braços) e também a musicalidade da bailarina. O final pode ser adaptado para o estudo de iniciantes. Abaixo a lindíssima Ekaterina Krysanova do Bolshoi dançando essa variação.

7. Variação da Fada Cândida/Fada Candide/Fada da Pureza

É uma das fadas do ballet “A Bela Adormecida”. Aqui eu começo a lista das fadas do ballet. Praticamente todas podem ser dançadas por iniciantes, EXCETO A LILÁS, que é uma variação de alta dificuldade. Mas que, se, com o tempo, a bailarina progredir, é uma opção para o futuro. Cada fada vai trazer um “presente” para a Princesa Aurora, e é isso que a bailarina vai ter que pensar ao executar as coreografias de cada uma.

Nas fadas de uma maneira geral, a bailarina tem que interpretar o papel com graciosidade e ter precisão musical. Cada fada vai ter algum diferencial. A Cândida, em especial é uma fada muito delicada e seus movimentos são lentos e sutis. Ela é responsável por trazer beleza e sinceridade à Princesa.

8. Variação da Fada Miolo de Pão/Fada da Generosidade/Fada Flor de Trigo

O trigo é o símbolo da fartura, e é isso que essa fada vai trazer de presente para a Princesa. É uma variação com a música um pouco mais forte e mais ágil e tem muito trabalho de pontas e pas de bourrée suivi.

 

9. Variação da Fada Miguê/Fada do Encanto/Fada do Pão Ralado

Essa foi a primeira variação que eu dancei na vida. Não foi lá a minha melhor vez no palco. Lembro de eu terminar de dançar e arrancar a unha fora, além disso, peguei o tutu que eu ia usar no dia e ele estava todo amassado! Eu estava MUITO nervosa! Lembro de estar tremendo por dentro e lembro que me julguei ter dançado péssima! Talvez as fotos que a minha mãe publicou na época não ajudaram muito para mudar esse meu pensamento. Sabem como é mãe tirando foto, não é? Lembro que não gostei de nenhuma! Só dessa abaixo! E os celulares da época não eram lá muito bons de câmera. Meu pai filmou, mas, foco zero. Ainda bem que hoje temos câmeras melhores! A experiência ficou mais na memória e no meu coração do que nos regristos. Mas fato é que eu tenho um carinho por essa variação por ter sido a minha primeira. E, tenho um carinho por todas as que danço.

Agora, mais de 10 anos depois, vejo que essa experiência foi fundamental na minha vida para que eu pudesse passar por outras coisas. Eu nunca esqueci do quanto eu fiquei feliz em dançar de tutu pela primeira vez e de ter dançado um solo pela primeira vez. Essa variação tem vários pulinhos na ponta, e, como eu estava com a unha descolando, foi um desafio ainda maior! Também tem toda a graciosidade de uma fada e o trabalho de braços. Pena que eu demorei tanto para correr atrás de outros solos e outras coreografias com tutu. Isso ficou adormecido em mim por um bom tempo.

Ela é uma ótima variação para iniciantes.

Abaixo, a versão da Ópera de Paris.

10. Variação da Fada Canário/Fada da Musicalidade

Sua coreografia é bem alegre, ágil e musical, dançada ao som de uma flauta. As mãos e os braços da bailarina simbolizam o bater das asas de um canário. Ela deve dançar alegre como um passarinho.

11. Variação da Fada dos Dedos/Fada da Energia/Fada da Paixão/Fada Violente

Sua coreografia tem uma música forte e vibrante e sua coreografia passa bastante vitalidade, é de fato uma fada bastante enérgica, como diz um de seus nomes. Ela é dançada com os dedos apontados, o que justifica um dos nomes que a personagem leva.

12. Variação do Duo Oceano e Pérolas

O ballet “Le petit cheval bossu”, “The Little Humpbacked Horse” ou, em português, “O Cavalinho Corcunda” é um ballet de Arthur Saint-Leon, que não é dos mais famosos, mas tem coreografias que podem ser exploradas. Recentemente, na gala de 112 anos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, foi apresentado um trecho desse ballet.

A variação agora da lista é na verdade um duo (coreografia dançada em dupla), “Oceano e Pérolas”, que pode ser dançado por iniciantes. Trabalha basante o lado artístico e haja pas de bourrée couru!

13. Variação de Lise 2º Ato

Variação do ballet “La Fille Mal Gardée”, o primeiro ballet de repertório da história. É uma variação leve, musical, ágil e graciosa, mas que também é uma ótima opção para iniciantes.

14. Pas de Chale de Raymonda

É uma coreografia do 1º ato do ballet Raymonda. Também não é das variações mais dançadas e mais famosas, mas é de uma leveza e uma delicadeza! A bailarina dança com um lenço enorme e a música é linda!

 

E essas foram as minhas sugestões de variações para iniciantes!

Alguma você não conhecia? Qual você mais gostou? Já dançou ou quer dançar alguma delas?

Me fala nos comentários!

 

Até o próximo post!