Hoje o assunto são os 6 port de bras de Vaganova. Esse é um conhecimento básico que toda bailarina TEM QUE SABER!

Apenas relembro que cada método vai ter a sua posição de braços, como já falei nesse post aqui. No método russo, ou Vaganova, as posições são apenas: preparatória, primeira, segunda e terceira.

Também dependendo de cada método de ballet, vão existir infinidades de port de bras. No método Vaganova são apenas 6, e são eles que vamos ver aqui. Lembro também que os braços são uma das partes mais difíceis da dança e demonstra a leveza, o estilo, o método de ballet, além do nível técnico da bailarina. Pois é através dos braços que podemos ver, por exemplo, se a bailarina está tensa ao dançar. Já falamos dicas de braços nesse vídeo aqui.

Retomando os port de bras, traduzindo o termo, significa “movimento de braços” e, Vaganova também reforça o já dito acima em seu livro:

“é a parte mais difícil da dança, que exige muito trabalho e cuidado. A sabedoria em conduzir os braços revela imediatamente uma boa escola.”

Ela ainda ensina como deve ser o formato dos braços:

“É necessário que, desde a Posição Preparatória, os braços estejam arredondados de tal modo que o osso do cotovelo seja imperceptível senão, os cotovelos formam ângulos e, com isso, tira-se o contorno suave que os braços devem ter.

A mão deve estar na mesma altura do dobramento do cotovelo. Ela deve ser segurada e não pode ficar muito dobrada, senão a linha será quebrada. (…). Não se deve permitir o afastamento do polegar. Manter os ombros rebaixados e imóveis.

É preciso que as posições dos braços e port de bras aparentem naturais. Todo movimento de braços (poses) deve ser realizado através da I posição”.

Vaganova diria muito mais outras coisas em seu livro, mas para que o post não fique muito longo e uma mera transcrição desta admirada professora, vamos diretamente aos 6 port de bras que são o objetivo desse post:

1. Primeiro Port de Bras

 

Nessa sequência de movimentos, vamos começar em quinta posição de pés em croisé, pé direito na frente.

As mãos vão da posição preparatória para a primeira posição, depois para a terceira posição, abrem-se na segunda posição e descem para o ponto inicial, que é a posição preparatória.

Quando os braços chegarem à segunda posição, alongar as mãos fazendo um suspiro calmo, não exagerado (não levantar os ombros); deve-se virar as mãos com as palmas para baixo e, com a expiração, descê-las suavemente.

A cabeça se inclina para a esquerda quando os braços chegarem à primeira posição, o olhar fixa-se nas mãos; quando os braços estiverem na terceira posição, cabeça para a frente; quando os braços se abrem, a cabeça vira-se e se inclina para a direita. O olhar sempre segue as mãos (a musculatura do rosto participa do movimento). A cabeça é novamente virada para a frente no final do movimento.

2. Segundo Port de Bras

Começamos mais uma vez em croisé, perna direita na frente.

Os braços vão da posição preparatória para a primeira posição, depois o esquerdo vai para a terceira posição e o direito para a segunda posição. Esquerdo para a segunda, direito para a terceira; o esquerdo desce para a posição preparatória, passa por ela e sobe para a primeira posição, onde se encontra com o braço direito, descendo. Daqui, o movimento se repete.

A cabeça deve acompanhar o movimento da seguinte forma: quando os braços estão na primeira posição, olhar para as mãos, inclinando a cabeça para a esquerda; durante o segundo momento, a cabeça é virada para a direita; quando o braço direito está na terceira posição, a cabeça inclina-se e vira-se para a esquerda; durante o término do movimento, a cabeça vai para a esquerda.

3. Terceiro Port de Bras

Quinta posição de pés, direita à frente, croisé.

Tendo aberto os braços na segunda posição (cabeça para a direita), “suspirar com eles”, como no primeiro port de bras, e abaixá-los para a posição preparatória, inclinando ao mesmo tempo o tronco e a cabeça para a frente e mantendo sempre as costas retas com a ajuda da espinha dorsal corretamente colocada num souplesse en avant.

Depois começa o desencurvamento (o corpo volta para a posição inicial), da seguinte forma: primeiro o tronco indireita-se (sobe de volta), sendo que a cabeça e o tronco sobem juntos com os braços, que passam pela primeira posição e vão para a terceira posição.

Depois o tronco se dobra o quanto possível para trás num cambré. Nesse movimento, a cabeça não deve atirar-se para trás e os braços devem se encontrar à frente da cabeça e não escapar do olhar neles direcionados. O tronco volta novamente à posição inicial, todo o corpo indireita-se e os braços se abrem na segunda posição.

Para este port de bras, Vaganova sugere a contagem 4/4: no 1, fazer o souplesse en avant, no 2, voltar à posição inicial, no 3 fazer o cambré, no 4, voltar à posição inicial novamente e abrir os braços na segunda posição.

4. Quarto Port de Bras

Esse exercício pertence à escola italiana, mas é muito propagado no método Vaganova. Para que este port de bras atinja a sua marca artística por completo, apesar de toda a aparente facilidade da forma, deve ser executado com muito cuidado.

Novamente, começar com a perna direita na frente, croisé.

Os braços vão pela primeira posição, esquerdo para a terceira, direito para a segunda – posição inicial para este tipo de port de bras.

O esquerdo se abre na segunda posição; é necessário abrir simultaneamente muito o peito (o que não significa estufá-lo), contraindo as costas, encurvando para dentro a coluna vertebral; levar tanto o ombro esquerdo para trás, que pelo espelho se consiga ver bem pelas costas e, como estamos nesse momento, rotacionados para a esquerda, então na frente estará o ombro direito. A cabeça deve estar virada para a direita. Apesar da forte rotação do tronco, as pernas permanecem totalmente imóveis.

Depois o braço direito é conduzido para a primeira posição, onde o esquerdo, levado por baixo, se encontra com ele; o olhar com a virada da cabeça para a esquerda, permanece nos braços. O tronco retorna à posição inicial.

Quando o braço esquerdo estiver na terceira posição, o direito na segunda posição e a cabeça virada para a direita, levantando as mãos e virando a cabeça em direção ao braço esquerdo (levantando o olhar para ele), deve-se conduzir os braços para a pose indicada virando-se com a palma da mão para baixo, esticando os dedos, como se estivesse cortando o ar com a mão e superando a sua resistência.

Quando ambos os braços alcançarem a segunda posição e o tronco estiver plenamente virado da maneira exigida, os braços se atenuam nos cotovelos, suaves e involuntários – isso é causado  pela grande tensão de contração e rotação das costas, que dá à pose e ao movimento aquela marca mais artística e não acadêmica, que eles devem carregar. Deixando o tronco rotacionado, a cabeça com o olhar vai para trás do ombro direito.

5. Quinto Port de Bras

Este port de bras é conhecido como port de bras circular. Ele normalmente é feito no final da aula, quando todo o corpo já se tornou elástico, tendo em vista que ele desenvolve uma grande flexibilidade.

Em quinta posição de pés, direita à frente, croisé, vamos começar.

Com o braço esquerdo na terceira posição e o direito na segunda, o tronco inclina-se para a frente num souplesse en avant junto com a cabeça virada em direção ao braço esquerdo, sem perder a postura reta da coluna vertebral. O braço esquerdo desce para a primeira posição; o direito, passando pela posição preparatória, leva-se até ele, também na primeira posição. Depois, o tronco reclina-se para trás num cambré com rotação para a esquerda, o olhar segue sempre o movimento do braço.

Os braços vão da primeira posição da seguinte forma: o direito eleva-se na terceira posição; o esquerdo vai à segunda; a cabeça e o olhar em direção ao braço esquerdo, depois o tronco retorna à posição inicial, o braço direito abre-se na segunda posição e o esquerdo ergue-se na terceira posição.

6. Sexto Port de Bras

Este port de bras é conhecido também como grand port de bras.

Por-se na posição croisé, perna direita na frente. A perna esquerda está atrás. O braço esquerdo já está na terceira posição, o direito na segunda. Fazer plié, agachando-se na perna direita e arrastando a esquerda para trás. Neste momento, o tronco se inclina muito para frente e junto com ele vai o braço esquerdo, sem perder seu lugar na terceira posição.

Tendo inclinado o troco até o ponto extremo, deve-se mantê-lo da mesma maneira, completamente reto. Para não perder esta postura, apesar da grande inclinação para frente, é preciso segurar a espinha dorsal firmemente reta, não fazendo qualquer curvatura. Nesse momento, o braço direito desce para baixo e se encontra com o esquerdo na primeira posição, sem perder o seu lugar um pouco acima da cintura.

Alcançada a quarta posição de pés extensivamente alargada, endireitar o tronco e, simultaneamente, jogue-o para a ponta do pé da perna esquerda. Em seguida, reclinar-se para trás, contraindo bem as costas. O braço direito vai para a terceira posição, o esquerdo para a segunda (o direito fica sempre na frente da cabeça). A cabeça inclinada para trás, através do ombro esquerdo.

Posteriormente, o braço direito abre-se na segunda posição, a cabeça vira-se para a direita, o tronco fica reto, o braço esquerdo vai para a terceira posição e, através do plié, retornamos à pose inicial croisé.

Este port de bras é frequentemente feito no adagio para preparar para uma grande pirueta. Neste caso, o movimento não é executado até o fim: ficamos na perna direita flexionada na quarta posição alongé, com o braço direito na terceira posição e o esquerdo na segunda.

Para a pirueta en dehors, o braço esquerdo, da segunda posição, através da terceira, se joga para frente para a pose preparatória de pirueta, e o braço direito abre-se para a segunda posição.

Para a pirueta en dedans, alcançada aquela mesma posição dos braços, com um movimento circular amplo, transferir o braço direito para a primeira posição arredondada, e o braço esquerdo permanece aberto na segunda posição. Daqui fazemos a pirueta.

Para assistir a explicação de forma simples em vídeo, eu preparei este vídeo do canal, logo abaixo.

Até o próximo post.

 

Fonte: Livro – Fundamentos da Dança Clássica – Agrippina Vaganova, traduzido por Ana Silva e Silvério, 3a Edição