Mais um ano letivo está para começar e com ele muitas bailarinas vão realizar um sonho antigo: subir nas pontas!

Por isso, no post de hoje, vou fazer uma espécie de manual, um passo a passo para te ajudar a escolher a sua sapatilha de ponta perfeita! Porque sei que muita gente tem dificuldade em encontrar o modelo ideal, mesmo quem já faz ballet há algum tempo!

É tanta opção, tanta coisa para escolher que podemos ficar perdida e parece ser o mais fácil comprar igual ao daquela amiga que já faz ballet há um tempão, não é? Mas esse não é o melhor caminho! Então, calma, que eu vou te ajudar a te guiar na escolha da sua ponta!

Tenha você iniciado adulta ou criança; iniciante ou avançada, esse passo a passo vai te ajudar! Vamos lá?

1. Ouça a sua professora!

A sua professora ou professor de ballet está no dia-a-dia te observando em cada aula. Ele sabe o quanto você é capaz e está ali vendo o seu pé, a sua musculatura, o quanto você está preparada para este momento. Então, se ele está lhe dizendo que você está pronta para subir nas pontas, confie! Por mais que existam muitos modelos de sapatilhas de ponta que são mais comumente indicados para iniciantes, por exemplo, a Toshiezinha, a Grisi, a Claudia… elas não são a única opção.

Pode ser que, por exemplo, mesmo que você seja uma bailarina iniciante precise de uma sapatilha mais dura por ter um pé forte. Então, quando for comprar a sua ponta, dê preferência ao modelo que a sua professora te indicar primeiro.

2. Experimente a ponta com a ponteira que você vai usar

Existe uma infinidade de ponteiras e proteções que podemos colocar nos nossos pés para subir nas pontas. Logo, é importante que você experimente a sua ponta junto com a ponteira ou proteção que você vai usar para fazer as suas aulas de ponta, pois isso pode influenciar na numeração da sua sapatilha. Se, por exemplo, na loja você experimentar com uma ponteira de pano, mas chegar na sua aula e for usar a de silicone, a ponta vai ficar apertada! Atenção a isso!

3. Numeração da sapatilha de ponta

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Geralmente a numeração da sapatilha de ponta são 2 números a mais do calçado normal (exemplo: eu, Juliana, calço 33/34, mas minha ponta é 6). Mas cuidado que isso não é uma regra absoluta! Como eu disse lá em cima, pode ser que a sua ponteira seja mais grossa e precisa que a sua ponta seja maior.

Uma metáfora que eu gosto de usar para explicar é a do sapatinho de cristal da Cinderella. A ponta deve ficar perfeita no nosso pé, nem apertada, nem larga demais. Nesse vídeo aqui do canal eu explico como saber se ela está certinha mesmo. Não pode enfiar o dedo atrás do calcanhar, mas também não pode apertar o dedão quando a gente faz plié com o pé no chão.

4. Box ou Caixa

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É a parte dura que colocamos os nossos dedos. É o que antigamente se chamava de “gesso” (vamos ver nos materiais no tópico abaixo que não é disso que as sapatilhas são feitas). Existem sapatilhas que afunilam no box, que afinam em direção ao bico, e sapatilhas que não. Existem box mais largos, e box mais finos. Vai depender do formato do seu pé.

5. Largura

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É a distância de um lado para o outro da sapatilha; existem modelos mais largos e mais finos. Vai depender também do seu pé. Existem modelos de sapatilhas que você pode escolher a largura. Por exemplo, a Performance da Pas Classique você pode escolher largura B ou C.

6. Gáspea

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É a distância do bico até o início dos dedos. Bailarinas de dedos maiores e de mais colo de pé necessitam de sapatilhas de gáspea mais altas; bailarinas de pés com dedos menores/pé pequeno ou pouco arco, de gáspeas mais baixas. É o meu caso. Imagina, eu, com o pé pequenininho com uma sapatilha de gáspea alta? A ponta ia esconder meu pé e ia ser quase impossível ter uma boa subida na ponta, um bom trabalho de meia ponta. Além disso, devemos pisar totalmente no bico; nem empurrar para frente demais e nem tirar a parte da frente do chão.

7. Rigidez / dureza

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A palmilha da sapatilha pode ser mais dura ou mais maleável. Isso deve ser escolhido de acordo com: a força do pé da bailarina e da frequência com que ela faz aulas de ponta. Não necessariamente uma bailarina avançada vai ter uma ponta dura ou uma iniciante vai ter uma ponta mole. Pode ser que, mesmo uma bailarina avançada se dê melhor com uma ponta mais maleável. Até mesmo um estilo de ballet pode pedir uma ponta diferente. Por exemplo, no segundo ato de Giselle, a bailarina que dança a personagem principal precisa de uma ponta mais maleável para poder fazer a sequência dos pequenos saltos.

Mesmo uma ponta dura tem que possibilitar à bailarina o trabalho de meia ponta que fazemos ao subir e descer da ponta. TODOS OS MOVIMENTOS DO BALLET DEVEM SER CAPAZES SE SEREM FEITOS NA PONTA!

8. Altura do calcanhar

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Justamente porque temos que conseguir fazer todos os movimentos do ballet, a altura do calcanhar da sapatilha deve obedecer a altura do calcanhar da bailarina. Se não, esse nosso instrumento de trabalho só irá nos atrapalhar.

9. Cor do cetim

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A sapatilha deve ser uma continuação da perna ou da meia calça da bailarina,; por isso ela deve ser do tom mais próximo da pele ou da meia da bailarina. Hoje cada vez existem mais marcas que possuem uma variedade de cor maior além do rosa ou salmão. Toshie, Pirouette, Freed e Gaynor são exemplos de marcas que oferecem cores diferentes de cetim.

10. Materiais

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Por muito tempo se acreditou que as sapatilhas de ponta eram feitas de gesso. Hoje, com tanta tecnologia à nossa disposição, temos basicamente 2 tipos de sapatilhas: as feitas de materiais tradicionais, que são a maioria do mercado, feitas de camadas de tecido, cola e papelão (NÃO SÃO FEITAS DE GESSO!); e as feitas de polímero, um plástico resistente e moldável, como, por exemplo, a Gaynor e a Glory. Geralmente essas de polímero já são prearqueadas, facilitando a subida.

Antes de torcer o nariz para esta espécie de “atalho”, apenas experimente e veja qual você se adapta melhor. Eu usei Gaynor por 10 anos da minha vida e não tenho queixas. Mas também me adaptei super bem à Pas Classique. Então, vai de cada um.

11. Considerações Finais

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A ponta deve:

. sustentar a bailarina;

. permitir todos os movimentos do ballet;

. ser confortável dentro do possível (subir na ponta não precisa ser um sofrimento);

. valorizar o pé da bailarina;

. fazer o trabalho de meia ponta e ponta;

. não ser lesiva!

E esse foi o post de hoje!

E aí? Já escolheu a sua ponta? Hoje tenho usado a Pré Ponta da Performance da Pas Classique, mas também gosto muito da Gaynor

Conta para mim!

Neste material aqui separei algumas das características das marcas de ponta para ajudar vocês também!

Vejo vocês no próximo post!