Olá bailarinas e bailarinos que acompanham o Tutu da Ju!!!

O post de hoje é um pouco teórico, mas vai ajudar a entender um pouco mais sobre esse lindo mundo do ballet que compartilhamos!

O ballet clássico, para quem não sabe, pode ser estudado segundo diferentes métodos. E cada escola de dança vai escolher o seu. Eu danço há anos pelo Vaganova, sendo este o que eu sou mais familiarizada, mas também já fiz algumas poucas aulas com métodos diferentes. Para saber qual vc acha melhor, só experimentando cada um.

O método de lecionar o ballet que a escola de dança escolheu vai fazer com que se adote um estilo diferente de dançar, mas sem deixar de ser ballet. É o que vai fazer com que um terceiro arabesque seja uma coisa num método e outra coisa no outro; em um método a quinta posição dos braços seja a terceira do outro e por aí vai. E isso não quer dizer que está errado. São apenas métodos diferentes para se ensinar a técnica do ballet clássico! Sabe, antes de sair dizendo que o “coleguinha” está errado, que tal dar uma olhada nos métodos existentes?

Não existe só um método, mas sete métodos!!! Antes de pesquisar eu mesma não sabia da existência de todos eles!!! Neste post vou fazer apenas um apanhado geral de cada um, falando de suas peculiaridades para que o post não fique grande demais!!!

Em posts posteriores irei detalhar melhor cada um e em outros e farei uma pequena comparação das principais posições dos braços e dos arabesques, que foram as principais diferenças que notei entre eles.

Eis os 7 métodos que vou falar em ordem cronológica:

  1. Método Francês (École Française)
  2. Método Dinamarquês (Bournonville)
  3. Método Italiano (Cecchetti)
  4. Método Inglês (Royal)
  5. Método Russo (Vaganova)
  6. Método Americano (Balanchine)
  7. Método Cubano (Escola Cubana de Ballet)

Os métodos de ballet

1 ) Método Francês (École Française)

Foi o primeiro método de ensino do ballet clássico e é a Língua Francesa que nomeia boa parte dos passos de ballet. E isso não é por acaso. Pierre Beauchamps foi quem elaborou as 5 posições dos pés e definiu a base do academicismo clássico na Língua Francesa.

Um dos seus ensinamentos foi manter intactos os termos técnicos criados por ele. E esse ensinamento foi de fato levado a sério, porque até hoje utilizamos esses termos.

O método francês se caracteriza por ser um estilo clean e sofisticado e também romântico, da busca pela técnica perfeita, daquele en dehors maravilhoso que todos nós desejamos. É também um método que valoriza a fluidez dos movimentos, dos movimentos longilíneos e sequências muito rápidas.

2) Método Dinamarquês (Bournonville)

Esse método foi desenvolvido por August Bournonville na Dinamarca. Sua coreografia e seu método foram projetados para aproveitar ao máximo espaços de dança pequenos.

Este método é também um método que se concentra sobre o estilo romântico e mistura muito as escolas francesa e italiana.

Tem grande destaque para o homem e trabalha, intensamente, as baterias, grandes saltos e trabalhos de pés.

Nele o bailarino tem que ter muita fluidez, uniformidade e musicalidade.

3) Método Italiano (Cecchetti)

Já pensou num método de ballet clássico com QUARENTA adagios? Esta é uma de duas características.

Foi o maestro Enrico Cecchetti que desenvolveu este método, conhecido como um sistema rigoroso de treinamento que exige muita dedicação. Sua ideia era trabalhar a anatomia humana, usando características essenciais da dança. Cecchetti queria que o bailarino se tornasse autossuficiente, sem ficar imitando os passos do professor.

Este método foca na agilidade. Não se pensa em cada fase do movimento, mas no conjunto. E assim se demonstrará a vivacidade do bailarino, valorizando os saltos e as baterias. Por isso ouvimos até hoje certos saltos “do tipo italiano”. Realmente ficaram bastante marcados nessa metodologia.

4) Método Inglês (Royal)

A Royal Academy of Dance (RAD) foi fundada por professores da Grã-Bretanha para criar um estilo único de ballet, unindo técnicas de dança francesas, italianas e russas.

Na RAD os exercícios são simples e devem ser muito bem executados, tanto pela repetição quanto pela consciência corporal e tem como pontos fortes a utilização dos braços como base de força.

É nítida a importância que se dá para o uso correto dos braços na execução de cada movimento, tornando-se aliado nos equilíbrios, sustentações, giros e saltos. A física do corpo no espaço é trabalhada como parceira da dança.

5) Método Russo (Vaganova)

É o método que, como eu disse acima, estou acostumada a dançar ballet e seu nome tem origem na bailarina Agrippina Vaganova, que foi diretora artística do Kirov.

Este método se caracteriza por ser um sistema de ensino bastante exigente e com técnica muito precisa e também  fundiu elementos dos métodos francês, italiano e mais influências de outros bailarinos russos.

Vaganova enfatizou dançar com o corpo inteiro, promovendo a movimentação harmoniosa entre braços, pernas e tronco.

Este sistema também se caracteriza por ter sido a primeira escola a observar a necessidade de um “roteiro” de aprendizado. A partir do século XX, ela se tornou base e influência para outras escolas. O fundamento do ensino é a formação do bailarino por meio da memória muscular: a repetição (gradativamente crescente) e o entendimento de cada composição dos passos, desde as primeiras fases de aprendizado, definirão a boa execução e a resistência do bailarino.

6) Método Americano (Balanchine)

Fundado pelo coreógrafo George Balanchine, que ficou reconhecido por revolucionar o ballet com a fusão dos conceitos modernos com as idéias tradicionais do ballet clássico, o verdadeiro criador do bailado contemporâneo e um dos maiores influenciadores dos mestres da dança.

Este método se caracteriza por desconstruir a precisão e a exatidão dos movimentos clássicos. O que importa é a liberdade expressa na dança, sem a rigidez mais exigida nas demais escolas. Assim, os bailarinos são trabalhados na execução mais natural dos movimentos, sem decompô-los extensivamente. O interessante de Balanchine é o trabalho do ballet, respeitando a individualidade anatômica de cada bailarino.

Os movimentos devem ser executados pensando em cada um no momento em que estão acontecendo; não se deve sacrificar um movimento em função da dificuldade do movimento seguinte.

7) Método Cubano (Escola Cubana de Ballet)

A escola cubana foi desenvolvida a partir da grande influência que os russos exerceram em seu país, e na experiência pessoal de Alicia Alonso.

O método cubano mistura o melhor da Escola Russa (Vaganova) e adiciona características próprias do temperamento e do biotipo dos bailarinos latino-americanos.

Suas aulas são bem expansivas e trabalham muito com allegros, baterias e giros. Bailarinos cubanos são conhecidos por sua agilidade e grande força.

Costuma-se dizer que o método cubano é considerado o mais adequado às condições físicas, à musicalidade e à expressão corporal latinas.

 

E esses são as sete metodologias do ballet clássico!

Espero que tenham gostado e aprendido um pouco mais sobre essa arte maravilhosa!!!

Me acompanhem em todas as redes sociais!!!

Até o próximo post!!!!