Tutu da Ju https://tutudaju.com Meu blog de ballet Thu, 26 Nov 2020 16:25:17 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=5.5.3 Dançando Satanella em casa https://tutudaju.com/dancando-satanella-em-casa/ https://tutudaju.com/dancando-satanella-em-casa/#respond Mon, 23 Nov 2020 16:06:57 +0000 https://tutudaju.com/?p=1607 E finalmente chegou o GRANDE DIA! Meu solo de Satanella ficou pronto e eu mostrei para vocês todo o processo: como foi ensaiar de casa (filmei todos os ensaios), as correções que a minha professora fez em mim, como ficou o espaço que eu ensaiei, a minha evolução… Esse ano de 2020 foi difícil para […]

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E finalmente chegou o GRANDE DIA! Meu solo de Satanella ficou pronto e eu mostrei para vocês todo o processo: como foi ensaiar de casa (filmei todos os ensaios), as correções que a minha professora fez em mim, como ficou o espaço que eu ensaiei, a minha evolução…

Esse ano de 2020 foi difícil para todas nós: quem diria que algum dia íamos ter que dançar ballet de casa? Quem é que não teve que se adaptar a esse novo tipo de rotina?

O final de ano sempre foi a minha época do ano preferida, inclusive por causa da apresentação de ballet que é nessa época. Eu AMO esse clima de ensaios, de se preparar, de provar os figurinos… Mas esse ano foi tudo diferente do que pensávamos. Muitas escolas de ballet não tiveram espetáculos (foram adiados ou cancelados). Até que a minha professora teve a ideia do espetáculo ser online: cada aluna teria uma variação de solo de repertório, íamos mandando vídeos para correções, e depois, a versão final. Com todas as versões finais, uma das alunas iria editar e transformar todos os vídeos num lindo espetáculo online. O espetáculo em si eu não vou poder mostrar, o que eu posso mostrar, é como a minha variação, o solo de Satanella, ficou.

Satanella é uma variação feminina MUITO cansativa e muito difícil! Foi uma felicidade sem igual vencer mais esse desafio, mesmo dançando de casa! Eu continuo sendo uma bailarina que tem dificuldade nos giros, ainda mais na ponta! Cheguei a pensar em desistir desse solo, que foi mais difícil que o de Paquita do ano passado, mas devemos pensar que quando a nossa professora nos desafia é porque ela acredita que somos capazes. E, se ela que conhece nossa dança com todas as nossas qualidades e dificuldades, acredita no nosso potencial, nós devemos acreditar também! Você que está me lendo, tenha isso em mente também e nunca duvide de você!

Foram meses de ensaios e todas as semanas eu enviava vídeos para a minha professora corrigir o que precisava ser melhorado. Perfeito é claro que não ficou! Mas vi claras evoluções e quero que vocês vejam também e percebam que é possível treinar ballet de casa (não tem espaço ou algum passo ainda é difícil para você? é possível adaptar para que a variação fique melhor para você – por exemplo, no meu caso, eu troquei a pirueta en dedans para somente en dehors porque eu ainda não masterizei as en dedans na ponta; algumas meninas fizeram trocas de passos porque não tinham uma sala grande que nem a minha).

Para ver tudo isso que eu disse, é só assistir o vídeo abaixo que eu mostrei tudo e dei várias dicas!

Postei também no YouTube um vídeo para quem quer assistir APENAS a COREOGRAFIA e ver apenas o RESULTADO FINAL. É só assistir o vídeo logo abaixo:

 

Se você viu os vídeos, gostou e quer conhecer TUDO sobre esse ballet que é apaixonante, clica nesse link aqui porque eu fiz aqui no blog um post completíssimo sobre ele! Lá eu conto, por exemplo, porque esse ballet também tem o nome de “Le Diable Amoureux”ou ainda Carnaval em Veneza!

 

E eu vejo vocês no próximo post!

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Conheça mais sobre o ballet Satanella – Le Diable Amoureux ou Carnaval em Veneza https://tutudaju.com/conheca-mais-sobre-o-ballet-satanella-le-diable-amoureux-ou-carnaval-em-veneza/ https://tutudaju.com/conheca-mais-sobre-o-ballet-satanella-le-diable-amoureux-ou-carnaval-em-veneza/#respond Mon, 16 Nov 2020 18:09:50 +0000 https://tutudaju.com/?p=1571 Hoje vou falar sobre o ballet Satanella! Para quem me acompanha, sabe que a minha variação deste ano de 2020 foi a de Satanella. Em breve vocês vão ver um REACT, no mesmo estilo que eu fiz no meu solo de Paquita, mostrando todas as etapas, os ensaios, as minhas evoluções. Esse ano uma das […]

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Hoje vou falar sobre o ballet Satanella!

Para quem me acompanha, sabe que a minha variação deste ano de 2020 foi a de Satanella. Em breve vocês vão ver um REACT, no mesmo estilo que eu fiz no meu solo de Paquita, mostrando todas as etapas, os ensaios, as minhas evoluções.

Esse ano uma das escolas que eu danço, a Petrouchka, decidiu fazer um espetáculo online para que não deixasse de ter apresentação. Todas as meninas dançariam um solo de repertório, nós enviamos os vídeos para uma das alunas editar e isso vai ser transmitido entre nós. Para mim, a minha professora escolheu a variação de Satanella. Algumas vezes eu me questionei se esse solo era para mim mesmo, porque olha! Que solo difícil e cansativo! Mas adorei o desafio! Foi um solo mais cansativo que o do ano passado e que eu AMEI dançar!

Enquanto eu não mostro todo o processo para vocês (já foi gravado! Só aguardem um pouco aqui ou no canal), vamos estudar juntas sobre esse ballet?

Vou fazer um post no estilo que eu já fiz sobre O Quebra-Nozes, com o máximo de informações: o por quê da confusão dos nomes, o enredo, curiosidades, contexto da criação e tudo que for interessante.

1. Satanella, Diable Amoureux ou Carnaval em Veneza?

Vamos esclarecer o por quê de tantos nomes para o mesmo ballet?

  1. O ballet Satanella foi originalmente criado por Joseph Mazilier com o nome “Le Diable Amoreux” (O Diabo Apaixonado). Seu libreto foi baseado no romance de 1772, O Diabo Apaixonado,  de Jacques Cazotte, um escritor francês. Este ballet estreou no Ballet du Théatre l’Académie Royale de Musique, atual Ópera de Paris, no dia 23 de setembro de 1840, sendo um ballet de 3 atos e 8 cenas. Nesta versão do ballet, os personagens principais do livro Álvaro virou Frédéric, Biondetta tornou-se Uriel/Urielle. Nesta ocasião tivemos Pauline Leroux e o próprio Mazilier nos papéis principais.

Sobre o nome “Satanella”, foi devido à versão de Marius Petipá, feita junto com seu pai, Jean Petipá, em 1848, que foi um verdadeiro sucesso, e eles nomearam o ballet de “Satanella, ou Amor e Inferno”, pois Urielle foi renomeada de Satanella. Este nome advém de “Satã”, sendo “Satanella”, a “garota diabo”.

Já o nome “Carnaval em Veneza”, se deve ao fato de que a peça mais famosa que se conhece hoje associada à produção de Satanella de Petipá é  Le Carnaval de Venise ou Satanella Pas de deux. Em 1857, Petipa criou um novo pas de deux  para uma performance beneficente da Prima Ballerina italiana Amalia Ferraris. Petipá coreografou o  pas de deux  com uma nova música arranjada por Cesare Pugni a partir de um ar extraído da peça de Nicolò Paganini para violino conhecido como  Carnevale di Venezia. O  pas de deux  foi intitulado  Le Carnaval de Venise . Quando Petipá reviveu Satanella pela primeira vez em 1866,  Le Carnaval de Venise foi encaixado no terceiro ato do ballet, onde foi mantido por muitos anos.

Esse pas de deux do Carnaval em Veneza também foi renomeado de “Pas de Deux Fascinação”. Após algu­mas outras ver­sões do seu pró­prio bal­let “Satanella”, Petipa con­vida o com­po­si­tor Cesare Pugni para uma nova ver­são, que teve a sua estreia em 7 de maio de 1868, no Teatro do Ballet Imperial de São Peterburgo. O Pas De Deux, que tinha sido core­o­gra­fado 9 anos antes, foi inse­rido nesta nova ver­são, no 3º Ato, e foi cha­mado de “Pas de Deux Fascinação” . É essa a ver­são que per­ma­ne­ceu no reper­tó­rio russo e se tor­nou a base para ver­sões pos­te­ri­o­res na Europa. E é esse o Pas de Deux dan­çado nos Concertos de Gala e com­pe­ti­ções mundo afora.

Ainda há o nome  “Satanilla”: o bal­let de Petipa foi renome­ado mais uma vez, sendo cha­mado na Rússia de “Satanilla”, com “i”, e não Satanella, com “e”.

2. Enredo

Satanella conta a história de Conde Frédéric (ou Conde Fábio a depender da versão) e Urielle (ou Satanella), que se apaixonam. Mas, Urielle, é na verdade, um diabo feminino invocado acidentalmente pelo jovem espanhol, Conde Frédéric, que assume a forma de mulher para seduzi-lo.  Isto será revelado após a jovem tirar sua máscara na véspera do casamento do casal. É claro que a história não é tão simples: o Conde já era comprometido com Phoebe e se envolve com Lilia, sua irmã de leite. A história deste ballet, baseado no romance de Cazotte, é na realidade dotada de muito ciúmes entre Phoebe e Frédéric, que no final, não ficarão juntos.

A história começa numa festa nos jardins do castelo de Phoebe. Ela está com Conde Frédéric, seu amante, e Hortensius, gover­nante do Conde, ao seu lado. Lilia, uma cam­po­nesa, chama a aten­ção do Conde. Ele vai con­ver­sar com ela. Phoebe sente ciú­mes e o força a voltar para o seu lado.

Há uma crise de ciúmes entre o casal Phoebe e Frédéric, que não acaba nada bem: Frédéric fica furioso e vai para a mesa de jogos. Hortensius tenta impe­dir. Frédéric não pára de jogar até o momento em que perde tudo o que tem. Ele sai da mesa, sendo seguido pelos outros joga­do­res e Phoebe. Os joga­do­res cobram dinheiro de Frédéric, que não tem nada. Lilia corre até ele e lhe entrega o anel, uma cruz e outras joias. Ele, emoci­o­nado, aceita a cruz e um rosá­rio, que serve de cor­rente. Ele beija as joias e guarda pró­ximo ao cora­ção. Hortensius o tira de lá o empurrando e Frédéric acusa os parceiros de terem feito uma trapaça. As espadas são puxadas, Phoebe separa os combatentes e Lilia cai em lágrimas.

Agora, na biblioteca do palácio do Conde Frédéric, há uma pintura de Belzebu em cima da lareira. Os servos da mansão entram na biblioteca, com medo do barulho na porta. Lá dentro já estavam Frédéric e Hortensius. Frédéric lamenta ter pedido tudo e Hortensius pede que se acalme com alguns livros. O Conde estuda as páginas com pouco interesse, até chegar a um manuscrito que se trata de magia negra. Ele resolve seguir o exemplo de seu ascendente e invoca o auxílio de Belzebu. Com essa invocação, a lareira é ferida por uma lança de luz, pela qual caminha Belzebu com Urielle, um demônio feminino, rastejando aos seus pés. Hortesius foge e Frédéric desmaia.

Belzebu acha Frédéric indigno dele, orde­nando que Urielle fique com ele na forma de um pajem, obedecendo-o, para levar sua alma depois, assim como na pin­tura. Urielle, insa­tis­feita de ter que escon­der seu sexo, obe­dece. Belzebu desa­pa­rece, a torre volta ao nor­mal e Frédéric acorda.

Há uma festa no palácio do conde com orgia, bebida e jogo. Frédéric está rico e feliz e deixa que suas paixões se expandam. As libações e o jogo circulavam livremente, e cortesãs vestidas de bacantes e ninfas entretêm os convidados com danças. Urielle aumenta o tumulto zombando os jogadores que perderam e intrigando os amantes.

Phoebe chega e dança. Urielle na forma de pajem, com ciú­mes, vai dan­çar com o conde, que é enfei­ti­çado e não con­se­gue aca­bar com aquela dança estra­nha. No final, ele fica a sós com Phoebe, em um sofá. Urielle faz a ima­gem de Lilia apa­re­cer, o conde vai atrás dela. Lilia chega com a sua mãe. Phoebe apa­rece, com ciú­mes, pega um punhal e corre para ata­car Frédéric, Lilia entra na sua frente e recebe o golpe por ele. Chega uma mul­ti­dão, o grande mei­ri­nho e outros ofi­ci­ais da lei. O diabo pega na mão de Frédéric e desa­pa­rece com ele.

A próxima cena ocorre no mar e algu­mas casas de pes­ca­do­res. No fundo, em cima das rochas, uma capela. Chega Bracaccio, chefe dos pira­tas, e seus pira­tas. Em uma casa, Hortensius cuida de Lilia. Chega Frédéric e a pede em casa­mento. Ela aceita e come­çam os pre­pa­ra­ti­vos. Urielle se deses­pera.

O conde Frédéric desce da capela e vai até a casa bus­car sua noiva. O diabo está em seu lugar. Começam as pri­mei­ras bên­çãos e o diabo começa a ficar inqui­eto. Chegando na igreja, quanto mais Urielle aden­tra o templo sagrado, mais a música muda. Quando ela está pres­tes a subir no altar, tro­vões são escu­ta­dos, as velas da igreja se apa­gam, a porta fecha vio­len­ta­mente e Urielle cai des­fa­le­cida. Todos saem cor­rendo da igreja, com medo. Frédéric leva a noiva até um banco e vê que ela é o diabo.

Agora estamos no inferno. Urielle apa­rece no banco onde Frédéric a dei­xou. Belzebu não acre­dita na capa­ci­dade de Urielle tra­zer a alma de Frédéric, mas ela garante ser capaz. Belzebu lhe dá três dias para fazer com que o conde assine o pacto, um rolo de papel. Ela retorna para a terra.

Há muitos outros acontecimentos no meio do caminho, mas o bem e o mal come­çam a bri­gar no cora­ção de Urielle. Surgem novos sen­ti­men­tos, e então a alma de mulher vence a do diabo. Prevalecem o amor e a compai­xão. Ela então diz que se per­derá por ele, mas que o sal­vará e o dei­xará ser feliz. Ela joga o pacto na lareira e morre no mesmo momento em que as cha­mas se apagam.

Lilia reco­bra os sen­ti­dos e é tomada de emo­ção junto com Frédéric. Ela começa a rezar aos céus para que Urielle seja perdoada, o conde pega a cruz e o rosá­rio que rece­beu de Lilia no pri­meiro ato e põe sobre o coração de Urielle.

No Inferno novamente, Belzebu está rode­ado de demô­nios. Um enorme demô­nio traz Urielle em seus bra­ços e a coloca no chão, perto de Belzebu. Os demô­nios se pre­pa­ram para pular em cima de Urielle e devorá-la, quando, de repente, apa­rece um anjo, que a pro­tege e estende a mão para ela. Urielle acorda, se vê entre os demô­nios e, por ins­pi­ra­ção divina, pega a cruz e o rosá­rio de Lilia sobre o seu peito e mos­tra aos demô­nios, que fogem hor­ro­ri­za­dos dos sím­bo­los sagra­dos. Ela então sobe os degraus em direção ao anjo, que a recebe nos braços.

Subindo, ao fundo vê-se a igreja do segundo ato e a pro­cis­são de casa­mento de Frédéric e Lilia.

3. Contexto da criação

Joseph Mazilier nasceu em 1801 em Bordéus, França, onde começou sua carreira de bailarino. Em 1822 foi para Paris e lá alçou vôos maiores. Foi nomeado premiere danseur de caractère e maître de ballet. Dele se dizia que poderia compor um ballet num dia e dançar todas as noites. Chegou a ser partner de Marie Taglioni em La Sylphide, ballet que fez dela uma grande estrela, e também compôs um alto número de ballets: La Gypsi, Le Diable Amoureux (do qual estamos falando neste post), Paquita, Le Corsaire e muitos outros.

Sabemos que o libreto do ballet tem como base o romance de Jacques Cazote, “O Diabo Apaixonado”. O assunto do romance pode parecer estranho para um ballet; na verdade, o romance de Cazotte é creditado como a origem do gênero de fantasia. Na época, era raro que um ballet se baseasse em uma história que não fosse do mito clássico nem do conto popular tradicional (La Sylphide, por exemplo, é baseado numa lenda escocesa). Le Diable amoureux obviamente não era nenhum dos dois, e como tal começou a quebrar muitas barreiras no mundo da literatura e do ballet.

Há muitos pontos em comum com os demais ballets românticos: como a figura do bem e do mau, personagens etéreas e a valorização do amor romântico e até utópico. Mas neste ballet, ao contrário de muitos outros do mesmo gênero, os personagens principais não vão ficar juntos no final.

No ano de 1840, em que estreia o ballet, a França ainda vive a sua Era do Ouro do Ballet. A antiga Académie Royale de Musique, atual Ópera de Paris era o berço de boa parte dos ballets de sucesso e das estrelas do ballet (alguns anos antes, em 1832, La Sylphide consagrara Taglioni e o Ballet Romântico) e isso durou por um bom tempo. Até pelo menos a Guerra Franco-Prussiana, que começaria a crise da primeira companhia profissional de ballet do mundo. Mas isso já foi assunto de outro post.

Mazilier foi o primeiro, mas não o último a usar o romance de Jacques Cazotte, “Le Diable Amoureux”, para um ballet. O ballet foi de tamanho sucesso na Académie Royale de Musique, que tiveram outras versões de igualmente grande sucesso, sendo uma das mais famosas a de Petipá, após o acréscimo do pas de deux do Carnaval em Veneza. Vamos ver tudo isso com mais detalhes nos tópicos seguintes.

4. Curiosidades

  1. O escritor francês de cuja obra se baseia o ballet, Jacques Cazotte, mor­reu gui­lho­ti­nado em 25 de Setembro de 1792, às 19:00 horas, na Place du Carrousel, em Paris, devido à sua posi­ção con­trá­ria à Revolução Francesa. Quando a Revolução come­çou, em 1789, Cazotte era pre­feito do muni­cí­pio de Pierry, Marne, região de Champagne-Ardenne, e as suas últi­mas pala­vras foram: “Eu morro como vivi, fiel ao meu Deus e a meu Rei”.
  2. A estreia mundial do ballet se deu no dia 23 de setembro de 1840, sendo a versão de Mazilier. Nos papeis principais estavam o próprio Mazilier, como Frédéric e Pauline Leroux como Urielle.
  3. Este ballet foi o veículo escolhido para o reaparecimento da bailarina Pauline Leroux, a quem um acidente a forçara deixar o palco temporariamente. Seu reaparecimento neste ballet foi um esplendor, sendo elogiada por suas habilidades técnicas e artísticas.
  4. Em Londres, o ballet foi ao palco pela primeira vez no dia 11 de março de 1841 no Theatro de Sua Majestade (Her Majesty’s Theatre). Nesta ocasião, a Sta. Marie Guy-Stephan interpretou o papel de Urielle e talvez a novidade já houvesse passado devido a uma comédia musical, meio ópera, meio ballet, com o mesmo tema, com o título de “Satanas and the Spirit og Beauty“, que foi levada anteriormente naquele ano, no Theatro Real Adelphi.
  5. Em 1843, no verão, no o Teatro Real de Drury Lane, o ballet foi dançado por Carlotta Grisi e Lucien Petipá nos papéis principais.
  6. O ballet voltou novamente à cena no seu teatro mais antigo, o Teatro Real de Drury Lane, agora sob o título “The Devil in Love“, com Pauline Leroux em seu papel original em 20 de novembro de 1843. Neste momento, Leroux foi comparada à Grisi, dizendo que ela não fez nada eletrizante como esta, mas que ainda assim é uma boa bailarina, dotada de grande elasticidade e muito boa nas pantomimas.
  7. Le Diable amoureux  desempenhou um papel significativo nos primeiros anos da carreira de Petipa na Rússia. Poucos meses depois de sua chegada a São Petersburgo, seu pai, Jean Petipá, acompanhou-o à antiga capital do Império Russo, assumindo o cargo de professor de dança masculina na Escola Imperial de Ballet.  “Le Diable amoureux”  foi um dos primeiros ballets parisienses que Petipá encenou para o Ballet Imperial, para o qual colaborou com seu pai. A dupla pai e filho encenou o ballet sob o título  Satanella  e estreou no Imperial Bolshoi Kamenny Theatre no dia 22 de fevereiro de 1848, com Elena Andreyanova como Satanella e Petipá como o conde Fabio (Urielle passou a se chamar Satanella, e Frédéric, passou a ser Fabio). Satanella foi um dos ballets que Petipá encenou em Moscou quando ele e Andreyanova se comprometeram a se apresentar no Teatro Imperial Bolshoi no final daquele ano. A atuação de Andreyanova em Moscou como Satanella foi um enorme sucesso e ela foi regada com base nas flores e presentes do público.
  8. Nesta ocasião, pai e filho (Marius e Jean Petipá), trabalharam juntos tanto para montarem o ballet, quanto para dançarem, eis que Marius interpretou Conde Fábio e Jean como Hortensius. O sucesso desta versão foi tanto que em 1849 pai e filho foram envi­a­dos à Moscou para a remon­ta­gem do bal­let, que estreou em 19 de Janeiro, com os mes­mos bai­la­ri­nos nos papéis principais.
  9. Após “Satanella” de Petipá ter sido um enorme sucesso, vários outros ballets parisieneses foram revividos, especialmente após a chegada do grande mestre do balé francês Jules Perrot em São Petersburgo em 1849. Petipá colaborou com Perrot nas encenações de ballets em São Petersburgo como  Giselle  e  Le Corsaire.  Ao longo de seus primeiros oito anos em São Petersburgo, Petipá encenou muitas danças para ópera e danças revividas para os revivals de obras mais antigas de Perrot.
  10. Petipá reviveu  Satanella em duas ocasiões para o Ballet Imperial. Para seu primeiro revival, novos acréscimos musicais foram compostos por Cesare Pugni. A primeira revivificação de Satanella por Petipá estreou no Imperial Bolshoi Kamenny Theatre no dia 30 de outubro de 1866 com Praskovya Lebedeva como Satanella e Lev Ivanov como Conde Fabio. Dois anos depois, Petipá encenou seu segundo avivamento com mais novidades musicais de Pugni. Seu segundo revival estreou no Imperial Bolshoi Kamenny Theatre no dia 7 de maio de 1868, com Alexandra Vergina como Satanella e Ivanov como Conde Fábio.Um renascimento da versão de Petipá de  Satanella  foi encenado no Imperial Bolshoi Theatre em 18 de fevereiro de 1897 por Ivan Clustine, que é mais conhecido por ser o coreógrafo da companhia de Anna Pavlova. A versão de Satanella de Petipá não sobreviveu, mas a coreografia de Mazilier para sua produção parisiense de Le Diable amoureux  foi notada por Henri Justament e faz parte de sua coleção de ballets franceses do século XIX.
  11. A peça mais famosa que se conhece hoje associada à produção de Satanella por Petipa  é  Le Carnaval de Venise ou Satanella Pas de deux. Em 1857, Petipa criou um novo concerto  pas de deux  para uma performance beneficente da Prima Ballerina italiana Amalia Ferraris, o qual se associou à bailarina. Petipá coreografou o  pas de deux  com uma nova música arranjada por Cesare Pugni a partir de um ar extraído da peça de Nicolò Paganini para violino conhecido como  Carnevale di Venezia (Op.10) . O  pas de deux  foi intitulado  Le Carnaval de Venise. Quando Petipá reviveu Satanella pela Primeira  vez em 1866,  Le Carnaval de Venise foi colocado no terceiro ato do ballet, onde foi mantido por muitos anos.
  12. Le Carnaval de Venise  viveu muito depois que o longa  Satanella  deixou o repertório do Ballet Imperial. Petipá reviveu ou  pas deux para a bailarina italiana Pierina Legnani e a coreografia realizada por Legnani, especialmente para variação feminina, parece ter sobrevivido até hoje.
  13. Na Rússia, esse  pas de deux  é conhecido como  Fascination Pas de deux de Satanella,  ou  O Carnaval de Veneza Pas de deux,  ou Carnaval Veneziano Pas de deux. No oeste, é conhecido simplesmente como  Satanella Pas de deux.  Os múltiplos títulos da peça derivam de suas origens em Satanella  e do fato de que a música teve sua base na composição de Paganini para violino Carnevale di Venezia (Op. 10).
  14. Hoje, o  Satanella pas de deux  é um marco do repertório do ballet clássico e do circuito de competição de ballet. O  pas de deux  é apresentado com destaque no célebre documentário  As Crianças do Teatro de Rua,  apresentado pela Princesa Grace de Mônaco e que traça o perfil dos alunos do Instituto Coreográfico Vaganova.

5. O que a crítica disse sobre o ballet

Comentando os cenários, diz um crítico no dia 26 de setembro de 1840:

” A vila da primeira cena; a capela com o grande lance de degraus talhados na rocha; o quarto, o mercado de Ispanan; o sétimo; e, finalmente, o último, o Céu e a terra, talvez sejam os mais admiráveis cenários pintados pelos Srs. Philastre e Cambon.

Sobre a música:

“A música é em geral bonita, muitas vezes grandiosa, e sempre apropriada às situações que lhe compete explicar ou traduzir”.

Sobre a reaparição de Pauline Leroux, que estava longe dos palcos devido a um acidente, fez sua reaparição com

“um esplendor, uma propriedade e uma animação cuja lembrança será carinhosamente conservada por longo tempo. Parece que a ausência, ao invés de ser prejudicial à Senhorinha Pauline Leroux, aumento, desenvolveu aquela qualidade etérea, aquele equilíbrio e precisosas tradições da nobre escola das quais ela sempre foi das mais graciosas intérpretes. Passando de pajem a mulher, de amante a bailadeira, sempre soube como emprestar a cada cena o caráter adequado, ao mesmo tempo em que nada perdia de sua delicada beleza; ela soube conceber cada disfarce e cada papel com incomparável propriedade e finura. Por certo modo, Pauline Leroux constitui todo o bailado, o deus intersit do entrecho; é ela quem faz a peça andar, entrando por um  alçapão, saindo pelo outro, transformando-se de homem em mulher num segundo, às vezes descendo aos infernos, doutras subindo aos céus, bela e espirituosa em toda a parte e em todo o tempo. E isso porque ela é uma bailarina francesa que mima com nosso chiste, que dança com nossa animação, viva, petulante, cheia de provocação e malícia, mas acima de tudo, cheia de desespero e amor.”

Em Londres, o “Le Diable Amoureux” foi apresentado pela primeira vez em 11 de março de 1841. À época, Marie Guy-Stephan desempenhou o papel principal de Urielle. O The Times noticiou de maneira breve:

“Le Diable Amoureux… foi montado com grande esplendor como um bailado, que, não obstante isso, muito lucraria com uma condensação. Uma nova bailarina, a Sta. Guy-Stephan, fez sua primeira apresentação; moça alta, de lindo rosto, move-se com grande flexibilidade e daça com graça fácil e espontânea que é muito agradável, sem traduzir qualquer sentimento pelos gestos, nem exibir nenhuma agilidade notável”.

O ballet voltou à cena em 2o de novembro de 1843 com o título de “The Devil in Love”, novamente com Pauline Leroux em seu papel original. O crítico do The Times declara que o ballet foi

“bem montado. Um quadro que representa uma capela, com vasta escadaria rente ao mar, constitui um bom exemplo de bela decoração cênica, e temos também uma formosa e deslumbradora vista de um bazar oriental. A tesoura de podar deveria ser usada com toda liberdade, pois o cumprimento do bailado é algo de formidável para a presente época, e então se poderia vaticinar razoável carreira.”

Já sobre Leroux, o mesmo crítico diz que ela

“nada faz para eletrizar a assistência como Carlotta Grisi; não há nenhum feito maravilhoso para ser registrado, nenhum novo gesto fica impresso na memória. Contudo, ela ainda é uma bela dançarina, dotada de grande elasticidade, e, na pantomima, é excelente. O modo apaixonado pelo qual contemplou o Conde adormecido, sua entrada altiva quando vem exigir o cumprimento dos termos do contrato, seu súbito enternecimento, seu terror à vista do padre, quando em certa ocasião, disfarçada de camponesa, estava para desposar Albert e sente a repugnância de um mau espírito pelo aparecimento da santidade, tudo isso feito com arte. O pas de fascination, com o qual seduz o Vizir, foi um belo espécime de pantomima dançada. Ora se torna travessa e animada, ora evasiva e sentimental; depois se arrasta lenta e silenciosamente à volta do Vizir, fixando nele os olhos até que parece absorto numa atmosfera de fascínio. Quando, por fim, cai de joelhos com a cabeça atirada para trás, e o pandeiro levantado, atiraram uma chuva de ramos de flores e o bis foi pedido em altos brados.”

6. Versões do ballet

  • A versão que foi feita por Joseph Mazilier e estreada na Ópera de Paris em 1840, contando com Pauline Leroux e o próprio Mazilier, que foi a primeira versão de “Le Diable Amoureux” para um ballet. Mas não foi a única. Ele, além de ter sido um dos personagens principais, se res­pon­sa­bi­li­zou pelo libreto, tornando-se coau­tor do mesmo, e cha­mando o grande dra­ma­turgo fran­cês Jules-Henri Vernoy de Saint-Georges como prin­ci­pal autor do libreto. Como já escrito acima, nesta versão, os personagens principais chamam-se Urielle e Frédéric e contou com a música de Napoléon Henri Reber e François Benoist. Acima temos uma imagem do elenco da estreia desta versão.

  • Há ainda a versão de Filippo Taglioni, “Ballet Fantástico em 6 par­tes”, com sua filha Marie Taglioni (foto acima) no papel de Satanella, feito para o Teatro La Scala em 1842.

  • Também existe a ver­são de Paul Taglioni, irmão de Marie, que core­o­gra­fou Satanella em 1850, em Londres, para Carlotta Grisi, remontando-o dois anos mais tarde em Berlim, para a sua filha Marie-Paul Taglioni (foto acima), com o nome de “Satanella, ou Les Metamorphoses”.

 

  • Em 10 de Fevereiro de 1848, menos de um ano após a che­gada de pai e filho na Rússia (24 de Maio de 1847), Jean Antoine e Marius Petipa estreiam a nova ver­são de “Le Diable Amoureux”, que cha­ma­ram de “Satanella, ou Amor e Inferno”. A heroína prin­ci­pal teve o seu nome mudado de Urielle para Satanella, papel que dá nome ao ballet, e Conde Frédéric passa a ser Conde Fábio. O bal­let foi feito com base na mesma core­o­gra­fia e músi­cas do bal­let de Mazilier, com orques­tra­ção feita por Aleksandr Lyadov (Liadov). Nesta ocasião, Aleksandr Lyadov foi nome­ado regente da Orquestra de Ballet de São Petersburgo.Como prin­ci­pais, esta­vam: Yelena Andreyanova e Marius Petipá, como Satanella e Conde Fábio, e Jean Petipa como Hortensius.

  • Em 1857, Petipa core­o­gra­fou um Pas de Deux para o Concerto de Benefício da bai­la­rina ita­li­ana Amalia Ferraris com música de Cesare Pugni, que tomou como ins­pi­ra­ção alguns temas da peça de Niccolò Paganini “Carnavale di Venezia” (Op. 10). Esse Pas de Deux foi inti­tu­lado: “Carnaval de Veneza Grand Pas de Deux”.

 

  • Após algu­mas outras ver­sões do seu pró­prio bal­let “Satanella”, Petipa con­vida o com­po­si­tor Cesare Pugni para uma nova ver­são, que teve a sua estreia em 7 de maio de 1868, no Teatro do Ballet Imperial de São Peterburgo. O Pas De Deux, que tinha sido core­o­gra­fado 9 anos antes, foi inse­rido nesta nova ver­são, no 3º Ato, e foi cha­mado de “Pas de Deux Fascinação” . É essa a ver­são que per­ma­ne­ceu no reper­tó­rio russo e se tor­nou a base para ver­sões pos­te­ri­o­res na Europa. E é esse o Pas de Deux dan­çado nos Concertos de Gala e com­pe­ti­ções mundo afora.

 

  • Em 1984, o coreó­grafo russo Vassily Medvedev faz uma nova ver­são de Satanella para o Teatro Vanemuine, em Tartu, na Estônia, com músi­cas de C. Pugni, F. Benoist e N. Reber.

 

  • Em 1989, no Ballet National de Marseille, França, estreia “The Devil in Love, ou Le Diable Amoureux” core­o­gra­fado por Roland Petit, com música de Gabriel Yared, libreto de Jean Anouilh e Roland Petit. No papel prin­ci­pal estava Alessandra Ferri.

 

 

Fontes Bibliográficas:

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Entenda DE UMA VEZ POR TODAS o ENTRECHAT no ballet https://tutudaju.com/entenda-de-uma-vez-por-todas-o-entrechat-no-ballet/ https://tutudaju.com/entenda-de-uma-vez-por-todas-o-entrechat-no-ballet/#respond Thu, 12 Nov 2020 17:48:24 +0000 https://tutudaju.com/?p=1611 Vamos entender o entrechat? Como vocês sabem, todo (ou quase todo) passo do ballet é uma palavra francesa, um verbo da língua francesa no particípio passado. Já vimos isso aqui algumas vezes, mas é sempre bom lembrar. “Entrechat”, no ballet, é um certo grupo de passos que nós vamos entender AGORA de UMA VEZ POR […]

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Vamos entender o entrechat?

Como vocês sabem, todo (ou quase todo) passo do ballet é uma palavra francesa, um verbo da língua francesa no particípio passado. Já vimos isso aqui algumas vezes, mas é sempre bom lembrar. “Entrechat”, no ballet, é um certo grupo de passos que nós vamos entender AGORA de UMA VEZ POR TODAS!

1. Entendendo o significado e a execução

Entrechat é o verbo francês do particípio passado que significa “entrelaçado”. E é isso que vamos fazer com nossas pernas no ar! Mas ATENÇÃO! Entrelaçar NÃO é embolar hein! Então, entrechat vai ser esse grupo de pequenos saltos em que vamos começar na quinta posição, no ar, as pernas se trocam e pode ser que terminemos com a mesma perna que começamos, com a perna diferente ou no coupé, devant ou derriére, da mesma perna ou da perna diferente. Agora embolou de vez né? É por isso que todo “entrechat” segue uma numeração: trois, quatre, cinq, six. Mas vou explicar isso no próximo tópico! Vamos com calma!

Então, se é um pequeno salto, mas no caso, um pequeno salto battu (ou batido), um passo do nosso petit allegro, vamos precisar do plié antes e após o salto, porque vai ser esse plié que vai impulsionar nosso salto e amortecer nossa descida quando chegarmos ao solo. Já vimos isso no plié: devemos afundar o nosso plié ao máximo, sem tirar os calcanhares do chão, sem desencaixar e sem jogar as costas para frente. É muito detalhe mesmo! Mas temos que nos lembrar disso para um pequeno salto bem feito e para nos fazer saltar mais alto.

Outro detalhes importantes para um pequeno salto bem feito: não desencaixar o plié na descida, esticar os pés e joelhos quando saímos do chão, tocar os calcanhares quando estamos no chão, e uma série de outros detalhes que já vimos no outro vídeo de pequenos saltos.

2. Entendendo a numeração

Vimos então, que “entrechat” vem acompanhando uma numeração, que pode ser trois, quatre, cinq, six… Ok! Mas o que seria essa numeração? Isso pode causar muita confusão nas aulas de ballet e o meu objetivo com esse post aqui é justamente “desconfundir” você! Você se confunde quando é entrechat trois e entrechat cinq? Calma que você não é a única! Mas leia com atenção que eu vou ser o mais didática possível para que você entenda! Essa numeração indica NÃO o número de BATIDAS, mas SIM o número de movimentos que fazemos com as nossas pernas no ar! Como assim Ju? Num entrechat quatre, por exemplo, em tese, temos APENAS UMA BATIDA, mas são 4 MOVIMENTOS que eu vou explicar a seguir. Mas, de antemão, quero que você saiba que essa contagem é diferente nos pares e nos ímpares:

  • Nos pares (entrechat quatre, entrechat six, por exemplo): começamos a contar a partir da primeira posição, a partir do momento que o nosso pé abre.
  • Nos ímpares (entrechat troix, entrechat cinq, por exemplo): começamos a contar a partir da quinta posição, da posição inicial, pois é como se tivesse uma batida antes.
  1. Entrechat trois: “trois” é três, aqui vamos fazer, então, três movimentos, lembrando a contagem acima dos ímpares. Começamos em quinta posição (movimento 1), abrimos em primeira  no ar(movimento 2) e caímos no coupé com a mesma perna que era a nossa referência, que será derriére, se começamos com a perna da frente; ou cairá no coupé devant, se começarmos com a perna de trás! E esse será o nosso movimento 3! Ficou confusa? É só contar que facilita. É como se fosse um Royal (Changement battu) que cai no coupé.
  2. Entrechat quatre: “quatre” significa quatro e indica que vamos fazer quatro movimentos, segundo a contagem dos pares. Também começamos em quinta, mas ignoramos ela (apenas para fins de contagem, ok? não quero dizer que não vamos começar na quinta). O movimento 1 vai ser a primeira posição no ar, movimento 2 vai ser a quinta posição (a perna que estava na frente vai para trás), primeira de novo vai ser o movimento 3 e voltamos para a quinta no plié com a mesma perna e fechamos o movimento 4 (e último).
  3. Entrechat cinq: utilizando a regra dos ímpares, começamos a contar os movimentos na quinta posição em que já estamos (movimento 1), abrimos no ar na primeira posição (movimento 2), a perna da frente vai para trás em quinta posição ainda no ar (movimento 3), vamos para a primeira de novo (movimento 4) e caímos no coupé com a outra perna (movimento 5 e último). O coupé vai ser derriére, se começamos com a perna da frente, ou devant se começamos com a perna de trás. É DIFERENTE DO TROIS, pois aqui trocamos a perna que era a nossa referência. Aqui pense num quatre que cai no coupé.
  4. Entrechat six: usando a regra dos ímpares, começamos o passo na quinta posição, mas vamos fazer a contagem quando fizermos a primeira posição no ar (movimento 1), a perna da frente vai para trás na quinta posição (movimento 2), voltamos à primeira (movimento 3), quinta de novo, retomando a mesma perna da frente (movimento 4 – até aqui temos um quatre), primeira mais uma vez (movimento 5) e finalizamos no plié com a perna que estava na frente agora atrás (movimento 6). Esse saltinho é um quatre com mais uma troca.

3. Observações sobre outros pequenos saltos

Obs: Changement battu: alguns chamam de “entrechat deux”. “Deux”, assim como no “pas de deux” (passo de dois), é dois, então, é um entrechat com dois movimentos: cruzamos a quinta no ar e trocamos a perna para trás. Há uma cruzada, uma batida antes de trocar a perna. E é isso que diferencia do changement simples, que não há essa batida. A perna apenas troca de posição no ar de quinta para quinta.

Obs: Temos também os saltos que não trocam as pernas no ar, como por exemplo os sautés e sobressauts. A diferença é que o sobressaut é de quinta para quinta (sem trocar), de forma que a mesma perna que estava na frente continua na frente. Nos sautés, temos de primeira e de segunda – sendo de primeira para primeira, e segunda para segunda – não há qualquer troca de pernas. A mesma posição é mantida.

Tudo isso eu expliquei no vídeo do canal que está logo abaixo!

Espero ter tirado todas as dúvidas de vocês!

Até o próximo post!

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Aprenda os 6 Port de Bras de Vaganova https://tutudaju.com/aprenda-os-6-port-de-bras-de-vaganova/ https://tutudaju.com/aprenda-os-6-port-de-bras-de-vaganova/#respond Sun, 08 Nov 2020 15:25:41 +0000 https://tutudaju.com/?p=1527 Hoje o assunto são os 6 port de bras de Vaganova. Esse é um conhecimento básico que toda bailarina TEM QUE SABER! Apenas relembro que cada método vai ter a sua posição de braços, como já falei nesse post aqui. No método russo, ou Vaganova, as posições são apenas: preparatória, primeira, segunda e terceira. Também […]

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Hoje o assunto são os 6 port de bras de Vaganova. Esse é um conhecimento básico que toda bailarina TEM QUE SABER!

Apenas relembro que cada método vai ter a sua posição de braços, como já falei nesse post aqui. No método russo, ou Vaganova, as posições são apenas: preparatória, primeira, segunda e terceira.

Também dependendo de cada método de ballet, vão existir infinidades de port de bras. No método Vaganova são apenas 6, e são eles que vamos ver aqui. Lembro também que os braços são uma das partes mais difíceis da dança e demonstra a leveza, o estilo, o método de ballet, além do nível técnico da bailarina. Pois é através dos braços que podemos ver, por exemplo, se a bailarina está tensa ao dançar. Já falamos dicas de braços nesse vídeo aqui.

Retomando os port de bras, traduzindo o termo, significa “movimento de braços” e, Vaganova também reforça o já dito acima em seu livro:

“é a parte mais difícil da dança, que exige muito trabalho e cuidado. A sabedoria em conduzir os braços revela imediatamente uma boa escola.”

Ela ainda ensina como deve ser o formato dos braços:

“É necessário que, desde a Posição Preparatória, os braços estejam arredondados de tal modo que o osso do cotovelo seja imperceptível senão, os cotovelos formam ângulos e, com isso, tira-se o contorno suave que os braços devem ter.

A mão deve estar na mesma altura do dobramento do cotovelo. Ela deve ser segurada e não pode ficar muito dobrada, senão a linha será quebrada. (…). Não se deve permitir o afastamento do polegar. Manter os ombros rebaixados e imóveis.

É preciso que as posições dos braços e port de bras aparentem naturais. Todo movimento de braços (poses) deve ser realizado através da I posição”.

Vaganova diria muito mais outras coisas em seu livro, mas para que o post não fique muito longo e uma mera transcrição desta admirada professora, vamos diretamente aos 6 port de bras que são o objetivo desse post:

1. Primeiro Port de Bras

 

Nessa sequência de movimentos, vamos começar em quinta posição de pés em croisé, pé direito na frente.

As mãos vão da posição preparatória para a primeira posição, depois para a terceira posição, abrem-se na segunda posição e descem para o ponto inicial, que é a posição preparatória.

Quando os braços chegarem à segunda posição, alongar as mãos fazendo um suspiro calmo, não exagerado (não levantar os ombros); deve-se virar as mãos com as palmas para baixo e, com a expiração, descê-las suavemente.

A cabeça se inclina para a esquerda quando os braços chegarem à primeira posição, o olhar fixa-se nas mãos; quando os braços estiverem na terceira posição, cabeça para a frente; quando os braços se abrem, a cabeça vira-se e se inclina para a direita. O olhar sempre segue as mãos (a musculatura do rosto participa do movimento). A cabeça é novamente virada para a frente no final do movimento.

2. Segundo Port de Bras

Começamos mais uma vez em croisé, perna direita na frente.

Os braços vão da posição preparatória para a primeira posição, depois o esquerdo vai para a terceira posição e o direito para a segunda posição. Esquerdo para a segunda, direito para a terceira; o esquerdo desce para a posição preparatória, passa por ela e sobe para a primeira posição, onde se encontra com o braço direito, descendo. Daqui, o movimento se repete.

A cabeça deve acompanhar o movimento da seguinte forma: quando os braços estão na primeira posição, olhar para as mãos, inclinando a cabeça para a esquerda; durante o segundo momento, a cabeça é virada para a direita; quando o braço direito está na terceira posição, a cabeça inclina-se e vira-se para a esquerda; durante o término do movimento, a cabeça vai para a esquerda.

3. Terceiro Port de Bras

Quinta posição de pés, direita à frente, croisé.

Tendo aberto os braços na segunda posição (cabeça para a direita), “suspirar com eles”, como no primeiro port de bras, e abaixá-los para a posição preparatória, inclinando ao mesmo tempo o tronco e a cabeça para a frente e mantendo sempre as costas retas com a ajuda da espinha dorsal corretamente colocada num souplesse en avant.

Depois começa o desencurvamento (o corpo volta para a posição inicial), da seguinte forma: primeiro o tronco indireita-se (sobe de volta), sendo que a cabeça e o tronco sobem juntos com os braços, que passam pela primeira posição e vão para a terceira posição.

Depois o tronco se dobra o quanto possível para trás num cambré. Nesse movimento, a cabeça não deve atirar-se para trás e os braços devem se encontrar à frente da cabeça e não escapar do olhar neles direcionados. O tronco volta novamente à posição inicial, todo o corpo indireita-se e os braços se abrem na segunda posição.

Para este port de bras, Vaganova sugere a contagem 4/4: no 1, fazer o souplesse en avant, no 2, voltar à posição inicial, no 3 fazer o cambré, no 4, voltar à posição inicial novamente e abrir os braços na segunda posição.

4. Quarto Port de Bras

Esse exercício pertence à escola italiana, mas é muito propagado no método Vaganova. Para que este port de bras atinja a sua marca artística por completo, apesar de toda a aparente facilidade da forma, deve ser executado com muito cuidado.

Novamente, começar com a perna direita na frente, croisé.

Os braços vão pela primeira posição, esquerdo para a terceira, direito para a segunda – posição inicial para este tipo de port de bras.

O esquerdo se abre na segunda posição; é necessário abrir simultaneamente muito o peito (o que não significa estufá-lo), contraindo as costas, encurvando para dentro a coluna vertebral; levar tanto o ombro esquerdo para trás, que pelo espelho se consiga ver bem pelas costas e, como estamos nesse momento, rotacionados para a esquerda, então na frente estará o ombro direito. A cabeça deve estar virada para a direita. Apesar da forte rotação do tronco, as pernas permanecem totalmente imóveis.

Depois o braço direito é conduzido para a primeira posição, onde o esquerdo, levado por baixo, se encontra com ele; o olhar com a virada da cabeça para a esquerda, permanece nos braços. O tronco retorna à posição inicial.

Quando o braço esquerdo estiver na terceira posição, o direito na segunda posição e a cabeça virada para a direita, levantando as mãos e virando a cabeça em direção ao braço esquerdo (levantando o olhar para ele), deve-se conduzir os braços para a pose indicada virando-se com a palma da mão para baixo, esticando os dedos, como se estivesse cortando o ar com a mão e superando a sua resistência.

Quando ambos os braços alcançarem a segunda posição e o tronco estiver plenamente virado da maneira exigida, os braços se atenuam nos cotovelos, suaves e involuntários – isso é causado  pela grande tensão de contração e rotação das costas, que dá à pose e ao movimento aquela marca mais artística e não acadêmica, que eles devem carregar. Deixando o tronco rotacionado, a cabeça com o olhar vai para trás do ombro direito.

5. Quinto Port de Bras

Este port de bras é conhecido como port de bras circular. Ele normalmente é feito no final da aula, quando todo o corpo já se tornou elástico, tendo em vista que ele desenvolve uma grande flexibilidade.

Em quinta posição de pés, direita à frente, croisé, vamos começar.

Com o braço esquerdo na terceira posição e o direito na segunda, o tronco inclina-se para a frente num souplesse en avant junto com a cabeça virada em direção ao braço esquerdo, sem perder a postura reta da coluna vertebral. O braço esquerdo desce para a primeira posição; o direito, passando pela posição preparatória, leva-se até ele, também na primeira posição. Depois, o tronco reclina-se para trás num cambré com rotação para a esquerda, o olhar segue sempre o movimento do braço.

Os braços vão da primeira posição da seguinte forma: o direito eleva-se na terceira posição; o esquerdo vai à segunda; a cabeça e o olhar em direção ao braço esquerdo, depois o tronco retorna à posição inicial, o braço direito abre-se na segunda posição e o esquerdo ergue-se na terceira posição.

6. Sexto Port de Bras

Este port de bras é conhecido também como grand port de bras.

Por-se na posição croisé, perna direita na frente. A perna esquerda está atrás. O braço esquerdo já está na terceira posição, o direito na segunda. Fazer plié, agachando-se na perna direita e arrastando a esquerda para trás. Neste momento, o tronco se inclina muito para frente e junto com ele vai o braço esquerdo, sem perder seu lugar na terceira posição.

Tendo inclinado o troco até o ponto extremo, deve-se mantê-lo da mesma maneira, completamente reto. Para não perder esta postura, apesar da grande inclinação para frente, é preciso segurar a espinha dorsal firmemente reta, não fazendo qualquer curvatura. Nesse momento, o braço direito desce para baixo e se encontra com o esquerdo na primeira posição, sem perder o seu lugar um pouco acima da cintura.

Alcançada a quarta posição de pés extensivamente alargada, endireitar o tronco e, simultaneamente, jogue-o para a ponta do pé da perna esquerda. Em seguida, reclinar-se para trás, contraindo bem as costas. O braço direito vai para a terceira posição, o esquerdo para a segunda (o direito fica sempre na frente da cabeça). A cabeça inclinada para trás, através do ombro esquerdo.

Posteriormente, o braço direito abre-se na segunda posição, a cabeça vira-se para a direita, o tronco fica reto, o braço esquerdo vai para a terceira posição e, através do plié, retornamos à pose inicial croisé.

Este port de bras é frequentemente feito no adagio para preparar para uma grande pirueta. Neste caso, o movimento não é executado até o fim: ficamos na perna direita flexionada na quarta posição alongé, com o braço direito na terceira posição e o esquerdo na segunda.

Para a pirueta en dehors, o braço esquerdo, da segunda posição, através da terceira, se joga para frente para a pose preparatória de pirueta, e o braço direito abre-se para a segunda posição.

Para a pirueta en dedans, alcançada aquela mesma posição dos braços, com um movimento circular amplo, transferir o braço direito para a primeira posição arredondada, e o braço esquerdo permanece aberto na segunda posição. Daqui fazemos a pirueta.

Para assistir a explicação de forma simples em vídeo, eu preparei este vídeo do canal, logo abaixo.

Até o próximo post.

 

Fonte: Livro – Fundamentos da Dança Clássica – Agrippina Vaganova, traduzido por Ana Silva e Silvério, 3a Edição

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O que você precisa saber para fazer um plié perfeito no ballet https://tutudaju.com/o-que-voce-precisa-saber-para-fazer-um-plie-perfeito-no-ballet/ https://tutudaju.com/o-que-voce-precisa-saber-para-fazer-um-plie-perfeito-no-ballet/#respond Sun, 18 Oct 2020 13:57:51 +0000 https://tutudaju.com/?p=1550 Hoje vou falar sobre o passo que é o mais importante do ballet: o plié! E vocês vão saber o por quê. Vocês vão saber tudo o que é preciso saber para fazer um plié PERFEITO! Neste post, primeiro vou falar da terminologia, do significado do termo “plié”, vou explicar a sua execução, tanto do […]

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Hoje vou falar sobre o passo que é o mais importante do ballet: o plié! E vocês vão saber o por quê. Vocês vão saber tudo o que é preciso saber para fazer um plié PERFEITO!

Neste post, primeiro vou falar da terminologia, do significado do termo “plié”, vou explicar a sua execução, tanto do demi-plié, quanto para o grand plié, como é ensinado e ao final, vou colocar o vídeo que eu fiz para o canal do YouTube, em que explico os principais erros e as correções.

1. Terminologia: o significado do plié

No ballet, quase todos os passos são termos em francês, mais especificamente, são verbos no particípio passado da Língua Francesa. Isso se deve a Luis XIV, que, conforme vocês podem ler neste post, quis unificar a linguagem do ballet, quis que os maîtres de ballet falassem uma única língua, e essa língua foi o francês.

Dito isto, o termo “plié” é mais um termo oriundo da Língua Francesa que significa “dobrado” e é exatamente o que fazemos nesse passo: dobramos as pernas. Mas plié não é uma mera dobra de pernas, mas de ambas as pernas, não tendo uma perna de base e uma de trabalho. E é o que diferencia do “fondu” (derretido), mas deixaremos o fondu para outro post.

1.1. Demi plié

Sabemos que no ballet existe o demi e o grand plié. Na terminologia, o que significa é que “demi” é semi, ou metade, então, “demi-plié” é meia dobra de pernas. Vamos dobrar as pernas a fundo, mas até a metade. Isso quer dizer que em qualquer posição, vamos dobrar as pernas e afundar, mas os calcanhares JAMAIS vão sair do chão.

1.2. Grand plié

Se “demi” é metade, “grand” é grande, ou total, então, “grand plié” é uma dobra total de pernas. Vamos dobrar as pernas ao máximo. O grand plié começa com um demi-plié e, então, continuamos o movimento. Aqui vamos SIM tirar os calcares do chão, EXCETO na segunda posição. Nesta, apesar de dobramos as pernas ao máximo, os calcanhares não saem do chão. Em todas as outras posições, esse fato vai acontecer.

2. Execução do Plié e principais erros

Vimos que plié é dobra de pernas, mas não é qualquer dobra de pernas. Sua função é esticar e descontrair os músculos das pernas, tornando-os elásticos e preparado-os para os exercícios seguintes. Por isso, as aulas de ballet da barra geralmente começam com o plié.

O plié é tão importante que ele é eliminatório nas audições: bailarinos perdem a chance de entrarem em grandes companhias por executarem mal o plié, tamanha a sua importância. Esse passo tão importante é o princípio básico da técnica perfeita e bonita da dança e é o segredo dos grandes bailarinos, pois os que evoluíram artisticamente no acabamento técnico, têm o seu plié como um movimento natural. Nestes bailarinos, a fluidez e a ligação dos movimentos se fundem com a atmosfera do ballet.

Aos bailarinos iniciantes, o plié perfeito, aquele executado de forma consciente e correta é muito difícil de ser encontrado. O plié perfeito é aquele em que cada vez que o joelho dobra, deve dobrar até o fundo, ou seja, até o máximo possível, fazendo força com o músculo das coxas, para que o joelho não caia para frente, forçando ao máximo os tendões e mantendo o calcanhar totalmente no chão. O peso deve estar bem distribuído nas duas pernas, os joelhos na direção dos dedos, e a postura encaixada (não pode desencaixar o quadril, nem encaixar demais e nem deixar as costas cairem para frente).

Atento para o fato de que, um plié mal feito não é uma mera questão de estética, mas podem afetar, além da técnica, a carreira de uma bailarina, ou mesmo o tempo que uma bailarina amadora irá dançar, pois um plié incorreto pode causar lesões nos joelhos (pois afeta a cartilagem)  e também nos tornozelos, além da coluna.

Falando agora de grand plié, já vimos que ele começa com o demi-plié e afundamos até completar o movimento. E, assim como no demi-plié, é também de tamanha importância o trabalho de en dehors, a partir dos quadris e interior das coxas, pois, com os dois pés no chão e o peso do corpo bem distribuído entre as duas pernas, este trabalho é mais facilmente conseguido do que com uma das pernas fora do chão. Por isso, bailarina ou bailarino que me lê, caso você esteja tendo dificuldades no seu plié, recomendo os exercícios de en dehors desse vídeo, além de alongar sempre seus tendões.

O grand plié também aumenta a força das pernas, pois para se executar corretamente, é necessário descer e subir com a força das coxas e nunca com a do corpo (que deve permanecer reto) ou das costas (que devem estar bem presas e retas), e as costelas devem estar fechadas.

O grand plié, assim como o demi-plié, também ajuda a distribuir o peso do corpo e possibilita o sentir desse peso. Deve-se ter muito cuidado para que os joelhos dobrem na direção da ponta dos pés (e os iniciantes devem até mesmo se guiar na direção do dedo mindinho), forçando a abertura na parte interna das coxas, apertando o bumbum e mantendo o corpo e as costas retos.

O grand plié não deve ser executado de maneira brusca, ele deve ser feito continuamente, evitando parar o movimento em baixo (é o que chamamos de “sentar”) para depois subir.

3. O ensino do plié

Tanto o demi-plié quanto o grand plié podem ser executados nas 5 posições, mas para os iniciantes só deve ser dado nas 1a, 2a e 3a posições. Para os alunos mais avançados, dá-se o plié na 1a e 2a, bem como em 4a croisé e 5a, o que torna desnecessário fazer na 3a posição, pois a 5a a substitui.

O plié começa a ser estudado na ordem das posições; ou seja, a partir da 1a. Esta tradição, não é a toa. Ainda que haja quem propunha iniciar o plié na 2a posição, não é o que Vaganova recomenda. Pareceria até mais fácil estudá-lo primeiramente na 2a posição, por ser mais estável, mas essa lógica carece de incorreções, porque devido a uma posição mais estável das pernas durante o aprendizado deste passo a partir desta posição, o tronco se relaxa facilmente, e não há a devida contração de todo o corpo da bailarina.

Por isso, o mais correto é iniciar o aprendizado do plié na 1a posição. Nesta posição, que é menos estável, obriga desde o início a fazer alguns esforços para manter o eixo vertical, em torno do qual se constrói todo o equilíbrio do corpo de quem está dançando.

Isso obriga a conter os músculos e, agachando-se sem salientar as nádegas (atenção a isso! É o que difere o nosso plié do ballet do exercício de agachamento proposto nas aulas de musculação! É também um exercício muito importante, mas é outro tipo de trabalho). Todo o corpo fica mais concentrado, a postura é correta e dá fundamento para qualquer plié.

É muito mais difícil conseguir isso na 2a posição até das alunas mais avançadas, quanto nas iniciantes. É fácil acostumar ao relaxamento da musculatura, enquanto o que se busca é a contensão de todo o corpo durante o indireitamento das pernas para o demi-plié inicial.

A fase mais importante para o professor insistir na execução correta do plié é quando os alunos já estão com certo adiantamento, menos confusos com as posições e passos. Muitos professores esquecem disso porque ficam encantados com o progresso dos alunos. Além disso, muitos professores não dão a devida atenção ao demi-plié, pois têm a dura tarefa de ensinar a muitos alunos ao mesmo tempo e ficam preocupados com os erros mais aparentes e mais chocantes.

Na preocupação de dar combinações cada vez mais difíceis para desenvolver a técnica, alguns professores esquecem-se da importância do demi-plié e da falta que este fará ao aluno quando estiver em condições de dançar uma variação completa (seja numa audição, num concurso, ou mesmo numa apresentação).

Os alunos imaturos e inexperientes não dão importância ao plié, considerando-o um passo bobo, de iniciante, o que é um verdadeiro equívoco, pois é com este passo que se inicia o estudo do ballet e vai ser de extrema importância para se executar os passos mais difíceis, como giros e saltos.

Os professores e alunos devem ter sempre em mente a importância do demi-plié, exigindo sua execução ao começar qualquer combinação de passos de allegro, na ligação desses passos, e também quando estiverem trabalhando nas pontas.

 

Depois de toda essa explicação, espero que agora todos saibam executar corretamente o passo mais importante do ballet. Abaixo deixo o vídeo do canal, com os principais erros cometidos pelas bailarinas na execução do plié.

 

Vejo vocês no próximo post!

 

Fontes bibliográficas:

  • Fundamentos da Dança Clássica – Agrippina Vaganova, traduzido por Ana Silva e Silvério – 3a Edição.
  • Balé, uma arte – Dalal Achcar

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Livros de ballet comprados na quarentena https://tutudaju.com/livros-de-ballet-comprados-na-quarentena/ https://tutudaju.com/livros-de-ballet-comprados-na-quarentena/#respond Thu, 20 Aug 2020 14:30:28 +0000 https://tutudaju.com/?p=1487 Olá gente! Eu já fiz um vídeo anterior mostrando meus livros de ballet, mas nessa quarentena comprei tantos que precisei atualizar vocês! Eu finalmente vou falar só de livros em PORTUGUÊS! Já que no meu vídeo anterior eram a maioria livros em inglês. Abaixo, vou deixar o vídeo do canal para você assistirem, mas depois […]

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Olá gente!

Eu já fiz um vídeo anterior mostrando meus livros de ballet, mas nessa quarentena comprei tantos que precisei atualizar vocês! Eu finalmente vou falar só de livros em PORTUGUÊS! Já que no meu vídeo anterior eram a maioria livros em inglês.

Abaixo, vou deixar o vídeo do canal para você assistirem, mas depois dele tem cada livro que eu mostrei com um pequeno resumo de cada um. A maioria foi comprado na Estante Virtual, um site que você livros novos e usados e de todos os assuntos possíveis, não só de ballet. Mas eu consegui MUITA coisa boa mesmo por lá!

 

1. FUNDAMENTOS DA DANÇA CLÁSSICA (AGRIPPINA VAGANOVA) – TRADUÇÃO ANA SILVÉRIO

Esse é um daqueles livros que todo mundo que quer se aprofundar. Vaganova foi a professora que fez um dos métodos de ballet mais usados no mundo inteiro. Mesmo ela não sendo a melhor bailarina do mundo na sua época, ela ainda assim teve muita importância na história da dança.

 

Nesse livro ela explica a execução dos principais passos do ballet, como eles devem ser ensinados e também como deve ser uma aula de ballet. Esse livro tem MUITO a ensinar e eu uso MUITO como consulta. E o bom é que ele é em português!

 

Ele foi traduzido direto do russo pela Ana Silvério, uma bailarina brasileira formada na Russia. Não teria pessoa melhor para traduzir esse livro.

 

Esse livro é considerado uma das bíblias do ballet e não é atoa!

 

O meu tem até uma dedicatória da própria Ana Silvério, pois no inicio desse ano ela lançou essa nova edição e estava vendendo na Ana Botafogo Maison e eu tive que garantir a minha. Mas hoje você consegue comprar pela Amazon.

 

2. BOLSHOI CONFIDENCIAL – SIMON MORRISON

 

Esse livro eu ganhei de presente de uma seguidora, a Ana Cristina Alves de Paula, já tem mais ou menos 2 meses após uma troca de emails. Ela me deu várias dicas de livros e vários deles eu comprei por causa dela. Eu comecei no dia 20 de julho e já passei da metade! Eu to amando MUITO!

 

Algumas pessoas já tinham me falado que leram esse livro também e já me disseram que é uma leitura densa. E realmente é! Mas eu to amando ainda assim! Por que conta várias histórias dentro da historia do Bolshoi sem esconder nada! Tem vários escândalos envolvidos e a historia do Bolshoi se confunde com a da própria Rússia; então, nesse livro, vai ter um pouco da história da Rússia também e de vários bailarinos, coreógrafos, compositores que fizeram parte do Bolshoi.

 

A história dele não é totalmente linear, pois começa com uma historia que aconteceu em 2013, em que um dos diretores do Bolshoi levou acido na cara ao chegar em casa, volta no inicio do Bolshoi, fala da invasão napoleônica, dos czares, do comunismo, até os dias de hoje e do que foi acontecendo com o ballet ao longo de todos esses eventos históricos. Voces sabiam que chegaram a pensar se o Bolshoi realmente deveria continuar existindo? Já pensou?

 

Esse livro está me prendendo muito! Apesar de ser denso, eu não consigo parar de ler! O lado bom, além de ser em português e ser um livro que foi lançado bem recentemente, é que ele é fácil de ser encontrado. E eu consegui achar ele no site da estante virtual!

 

3. O VÔO DA BAILARINA – MICHAELA DE PRINCE

 

 

Eu já conhecia a historia da Michaela de Prince e eu precisei comprar o livro dela e vocês vao entender o por quê. Ela é uma bailarina que enfrentou MUITA coisa para lutar pelo sonho de ser bailarina.

 

Ela nasceu na Serra Leoa na Africa, nasceu com vitiligo e muitos o chamavam de criança do diabo. Ela viu sua professora ser assassinada gravida na sua frente. Mas ela teve o final feliz de ser adotada por uma família americana, ela junto com a sua melhor amiga do orfanato foram adotadas juntas por um casal americano.

 

Ela guardava desde criança uma foto de uma bailarina de uma revista e ela queria ser tao feliz quanto essa bailarina; ela tinha o sonho de se tornar bailarina desde pequena. A sua mae a matriculou pequena numa escola de ballet, ela se tornou a bailarina que sonhava e hoje é solista do Dutch National Ballet, companhia em Amsterdã, na Holanda.

 

Não vou dar mais spoilers dessa historia, mas soube que recentemente o pai dela morreu.

 

Eu ainda não comecei a ler o livro mas tenho certeza que vou amar e me emocionar.

 

Também comprei na estante virtual, mas esse também é um livro fácil de encontrar.

 

4. HISTÓRIA DA DANÇA – MARIBEL PORTINARI

 

 

Eu comprei esse livro pq eu já o conhecia das minhas aulas de historia da dança, eu já tinha algumas xerox de alguns trechos e já usava muito como uma das minhas fontes de consulta para escrever os meus textos do blog. Esse ano eu finalmente consegui comprar.

 

Eu acho um livro muito bom como uma fonte de toda a historia da dança e fala do brasil e também de outras danças, como a dança moderna, o jazz e o sapateado. Ele não é só sobre a historia do ballet, mas muito antes disso! Desde as civilizações antigas até a história mais atual. Ele também fala de como o ballet começou no Brasil, o que aconteceu antes de ser fundado o TMRJ; fala do surgimento de várias companhias de ballet no mundo inteiro.

 

Uma única observação que eu vou fazer é que esse livro é da década de 80, de 89 para ser mais precisa, então, não está tão atual assim. Eu até sublinhei que o auge da época foi que podia ver ballets em fita cassete! Talvez alguns de vocês nem tenham pegado essa época! Que bom que hoje temos a internet para poder assistir ballet também!

 

Por enquanto, para mim é o livro que eu tenho mais completo sobre historia da dança, não é o mais profundo, mas ele fala de tudo de uma forma geral. Um dia ainda vou comprar um só de história do ballet no Brasil, mas ainda estou pensando qual.

 

Ele eu já vi no mercado livre, mas o meu eu comprei na estante virtual e você ainda consegue achar ele por lá.

5. UMA BAILARINA SOLTA NO MUNDO (TATIANA LESKOVA) – SUZANA BRAGA

 

Como o nome já diz, esse livro conta a história da Tatiana Leskova, uma bailarina que foi um ícone no ballet brasileiro. Dona Tania, como é conhecida, já foi diretora do TMRJ. Nasceu em Paris, mas a sua família era russa e fugiram de lá na revolução de 1917. Ela entrou no ballet aos 13 anos e aos 16 ela chegou a dancar no Original Ballet Russe do Coronel de Basil, em Londres.

 

Ela fugiu da segunda guerra, chegou aqui pela primeira vez em 1942 e ficou no Brasil de vez desde 1944, um pouco depois ela fundou o ballet society e foi diretora do muncipal com 27 anos de idade. Foi durante a sua direção que Eugenia Feodorova montou o primeiro lago do cisnes completo da américa latina.

 

Hoje Leskova está com 97 anos de idade e continua lúcida e ativa; mesmo após os 90 anos remontou ballets, e ainda viaja pelo mundo.

 

Certeza que vou amar saber mais da historia dela!

 

Tambem achei na estante virtual, mas vc não vai ter dificuldades em encontrar esse livro.

6. A BAILARINA DE AUSCHWITZ – EDITH EVA EGGER

Esse livro conta a historia da autora, Edith Evar Eger, que sobreviveu ao campo de concentração; ela e a irmã tinham sido dadas como mortas e foram encontradas numa pilha de corpos.

 

Ela foi bailarina na adolescência na época da Segunda Guerra e escreveu esse livro aos 90 anos, depois te ter sofrido vários estresses pós traumáticos e ter cursado psicologia após os 50! Ela escreveu o livro para mostrar que não devemos menosprezar a nossa dor e nosso sofrimento. O objetivo de mostrar não que o sofrimento dela foi maior do que o de qualquer pessoa, mas que todos nós podemos superar os nossos problemas.

 

Eu ainda não li o livro, mas essa autora já tem a minha profunda admiração.

 

Também comprei na estante virtual, mas também é fácil de ser encontrado.

 

7. ANATOMIA DA DANÇA – JACQUI GREENE HAAS

 

Esse é um livro traduzido do inglês, a sua autora é preparadora física do Cincinnati Ballet em Ohio nos EUA desde 1989, já foi bailarina profissional, dançando em varias companhias pelos EUA, e trabalha com a reabilitação de bailarinos.

 

 

Nesse livro ela nos dá noções de anatomia, como funciona o nosso corpo na dança e passa alguns exercícios para melhorar nossas habilidades como bailarinos. Além disso ela explica a importância da visualização para alcarmos nossos resultados e também faz uma relação que eu achei muito interessante entre o estresse e a maior chance de se nos lesionarmos.

 

Não é um livro muito extenso, mas é bem prático e ajuda demais a entender nosso corpo na dança.

 

Eu o encontrei na estante virtual, mas você consegue achar ele com facilidade em outros lugares também.

 

8. CARTAS SOBRE A DANÇA (NOVERRE) – TRADUÇAO MARIANNA MONTEIRO

 

Mais um livro que todo mundo que quer se aprofundar em historia da dança e principalmente entender sobre o conceito de ballet de repertório. Para quem não sabe, Noverre foi o pai do ballet de repertório. Ele criou o conceito de Ballet d’action, que se transformaria no nosso ballet de repertório. Antes de Noverre, se dançava de máscara e o ballet era uma arte secundária, dependente de outras, como a ópera, por exemplo. Noverre criticou todas essas coisas e passamos a dançar sem máscaras, para que pudéssemos transmitir a emoção atráves do nosso rosto, pois para Noverre, o bailarino não é uma maquina de executar passos. E o ballet deixa de depender de outras artes, é uma arte independente com características próprias; o espetáculo de ballet deve contar uma historia, em que todos os personagens devem participar dela. Mas não vou me alongar muito sobre isso nesse vídeo. Eu vou deixar o link aqui na descricacao de um post no blog que eu fiz sobre ele. Mas já adianto que comemoramos o dia da dança no dia 29 de abril pq foi nesse dia que Noverre nasceu. E agora vc já consegue entender a importância de Noverre para o ballet e pq comemoramos esse dia.

 

Nesse livro você consegue entender tudo isso que eu falei, todos esses conceitos e todas as cartas de Noverre em que ele criticava o ballet que existia na sua época e criava um novo ballet!

 

Esse meu livro é usado. Vocês podem ver que já pertenceu a uma Ana Cristina antes. Eu achei ele na estante virtual, mas era filho único e eu fiquei procurando todos os dias. Ele é um livro raro de ser encontrado. Então aqui vale a minha dica de ficar procurando sempre que vc lembrar e quando vc encontrar, vc compra!

 

E é mais um livro em Português traduzido de uma obra histórica do mundo da dança!

 

9. 75 ANOS A HISTÓRIA QUE FEZ ESTÓRIAS – PAULO MELGAÇO DA SILVA JUNIOR

 

Esse livro eu comprei pq o autor dele é o meu professor de historia da dança e terminologia. Paulo Melgaco da Silva Junior. Ele foi bailarino e hoje é professor dessas disciplinas teóricas em varias escolas como a Petite Danse, onde eu faço e da Maria Olenewa, a escola do TMRJ.

 

Esse livro foi uma edição dos 75 anos do TMRJ, conta um pouco da historia do Teatro, dos bailarinos e professores que passaram por lá. Com certeza também existem outros livros sobre o TMRJ e outros até mais recentes que eu também devo comprar, mas quis começar com esse.

 

Esse é usado e comprei na estante virtual.

 

10. BALLET UMA ARTE – DALAL ACHCAR

 

A Dalal foi e é uma figura de muito peso na historia do nosso ballet. Ela já foi diretora artística do TMRJ, foi ela quem trouxe Margot Fonteyn e Nureyev para dançarem aqui no Rio de Janeiro. Há anos ela também fundou a sua própria escola de dança.

 

E esse livro é mais um que eu também já conhecia e também tinha alguns trechos em xerox por que o meu professor usava nas aulas de terminologia. Já fiz muito conteúdo pro blog e pro canal por causa dele. Ele tem também a parte de historia da dança e também algumas coisas sobre figurinos e sapatilhas, mas acredito que o forte dele é realmente a parte de terminologia.

 

Ele é de 98, mas ainda é um conteúdo muito bom!

 

A titulo de curiosidade, esse livro é uma versão ampliada do livro ballet – arte, técnica e interpretação, da década de 80.

 

http://www.dalalachcar.com.br/oficio/pub.htm

 

11. O LIVRO DO BALLET – OS PRINCIPAIS BAILADOS DOS SÉCULOS XIX E XX – CYRIL M. BEAUMONT – VOLUMES I E II

Esses dois livros são sobre ballet de repertorio e eu acabei achando na estante virtual e como eu nunca tinha escutado falar eu fui pesquisar e descobri que o autor Cyril Beaumont foi um historiador de dança britânico. Ao longo dos anos ele se tornou amigo de vários bailarinos no mundo todo e uma dessas suas amigas, uma bailarina russa, o levou para assistir aulas do Ceccheti, o criador do método italiano de ballet e ele ajudou a codificar e preservar o método.

 

Então, ele escreveu vários livros de ballet, entre eles, esses aqui. Neles a gente consegue encontrar os ballets de repertório dos séculos XIX e XX, cada um tem a sua estreia, quem interpretou cada personagem, e tem o que os críticos diziam de cada ballet na época. Tem também fotos dos coreógrafos, dos bailarinos…

 

Esse livro é em português, é da editora Globo da década de 50! É uma antiguidade, uma raridade, mas também uma preciosidade! Com certeza vai me ajudar a trazer muito conteúdo pra vcs!

 

Esse eu achei também na estante virtual.

 

12. ANJOS DE APOLO – JENNIFER HOMANS

Esse também é um livro que todo mundo que se interessa por historia da dança também tem que ter. Esse meu eu comprei numa promoção nas lojas americanas. Ele vende na amazon e também na estante virtual, mas eu não encontrei lugar mais barato do que essa promoção que eu aproveitei. Ele é um livro meio raro e quando vc encontra, geralmente é bem caro! Eu já vi ele por mais de 400 reais e eu paguei 200!

 

Esse meu é em português, mas ele foi escrito originalmente em inglês. Se você tem facilidade em ler em inglês, você ainda consegue encontrar mais barato do que isso.

 

Eu ainda não comecei a ler ele, mas ele conta a historia do ballet desde as suas origens, até ele começar a ser desenvolvido nos EUA pelos russos. Eu ainda vou parar para ler, mas ele é um livro muito recomendado, então, eu acho que muito provavelmente eu vou gostar também.

 

13. COMO ME TORNEI UMA BAILARINA (ANNA PAVLOVA) – PINTURAS DE EDGAR DEGAS

Esse livro é fininho e nem tem tanto texto. Dá pra ler em um dia, mas conta um pouco da historia da bailarina Anna Pavlova e com as pinturas do Degas, que foi um pintor famoso que pintou bailarinas no século XIX. É uma lindeza esse livro!

 

Também comprei na estante virtual um usado e achei lindo!

 

Mas se você souber de algum livro que conte mais a fundo a historia da Anna Pavlova, deixa nos comentários, que eu vou adorar saber!

 

E esses foram os livros da vez. Vc tem algum livro interessante que eu ainda não falei?

Comenta aqui que eu vou adorar conhecer!

Até o próximo post!

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Testando um novo acessório – Piruetas anel com anel de pilates https://tutudaju.com/testando-um-novo-acessorio-piruetas-anel-com-anel-de-pilates/ https://tutudaju.com/testando-um-novo-acessorio-piruetas-anel-com-anel-de-pilates/#respond Thu, 04 Jun 2020 18:59:35 +0000 https://tutudaju.com/?p=1479 Olá pessoal! Para quem me acompanha aqui, sabe que eu venho insistindo em melhorar minhas piruetas. Então aproveitei esse tempo que estamos em casa para treinar ainda mais e comprei um novo acessório: um anel de pilates para poder me ajudar nisso! A primeira vez que vi esse acessório foi no vídeo da Claudia Dean […]

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Olá pessoal!

Para quem me acompanha aqui, sabe que eu venho insistindo em melhorar minhas piruetas. Então aproveitei esse tempo que estamos em casa para treinar ainda mais e comprei um novo acessório: um anel de pilates para poder me ajudar nisso!

A primeira vez que vi esse acessório foi no vídeo da Claudia Dean Coaching que ela explica como fazer tripla pirueta. Assisti esse vídeo há uns 3 anos e desde então queria testar esse acessório para ver se funcionava para mim mesmo. Clica aqui para ver o vídeo dela!

Para quem também não leu, já fiz um post no blog falando de alguns acessórios de ballet, em que eu citei esse anel. Vou deixar aqui para quem quiser ler!

Abaixo está meu vídeo do canal mostrando o meu treino com o anel e logo depois vou deixar a descrição explicando.

https://www.youtube.com/watch?v=V_925IT3lpo&feature=youtu.be

Neste vídeo testei fazer piruetas com o anel de pilates. Eu o vi pela primeira vez no vídeo da Claudia Dean Coaching acima, bailarina australiana que já foi do Royal Ballet, quem eu admiro demais e acompanho há muito tempo.

A ideia é trabalhar o encaixe das escápulas e fazer a força certa na hora da pirueta, não dando impulso excessivo com os braços. Eu estava abrindo demais o braço da frente e já tinha sido corrigida nisso pela minha professora de ballet e ecomprei esse acessório para isso!

Acredito que ele vai me ajudar a melhorar esse vício e girar melhor! Nesse vídeo contei também com a participação da minha Florinha, que tem sido a minha fiel escudeira nessa quarentena e me acompanhado em todas as minhas aulas de ballet!

Fiz um treino de piruetas, explicando como o anel deve ser usado e expliquei também a metodologia da Claudia Dean para piruetas e relevés passés. Um treino parecido com o meu último vídeo de piruetas. Comecei o treino com relevés passés, pirueta simples, depois pirueta dupla usando o anel, e depois fiz a mesma coisa sem ele, mas mantendo o mesmo trabalho, mantendo o controle dos braços. Espero que gostem! Ainda venho aqui para mostrar minha tripla pirueta hein!!!

 

Espero que tenham gostado!

Até o próximo post!

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Reformando a barra móvel https://tutudaju.com/reformando-a-barra-movel/ https://tutudaju.com/reformando-a-barra-movel/#respond Wed, 13 May 2020 18:22:24 +0000 https://tutudaju.com/?p=1454 Oi gente! Com essa época que estamos vivendo de todos em casa, dançando ballet inclusive, muitas pessoas fizeram a minha barra de ballet e eu fico MUITO feliz! Mas vi também que muitos de vocês tinham algumas dúvidas sobre como deixá-la mais estável! Afinal, é PVC, um material super leve, não é? Eu fiz a […]

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Oi gente!

Com essa época que estamos vivendo de todos em casa, dançando ballet inclusive, muitas pessoas fizeram a minha barra de ballet e eu fico MUITO feliz! Mas vi também que muitos de vocês tinham algumas dúvidas sobre como deixá-la mais estável! Afinal, é PVC, um material super leve, não é?

Eu fiz a minha já tem dois anos, e agora com as aulas online, tenho usado mais do que nunca! Com o tempo ela sujou e descascou um pouquinho, pois antes eu já usava demais nos vídeos do meu canal!

Por isso gravei um novo vídeo para o canal, reformando a minha barra móvel de PVC e respondendo as principais dúvidas que vocês me mandaram! Espero que gostem e que ajude quem está fazendo ballet de casa!

 

 

Comecei esfregando a barra com uma mistura de detergente de cozinha e água com um pano e uma escovinha.

Depois repintei da mesma cor de tinta spray lilás.

Ela ficou novinha! Agora é só esperar secar para poder voltar a fazer minhas aulas de ballet com ela!

Ao final, respondi as principais dúvidas de vocês sobre como deixar a barra móvel de PVC mais estável:

1) Preencher com areia, cimento e água para deixar mais firme. Se não preencher, vai ficar mais mole e mais difícil de se apoiar!

2) Martelar as articulações para não soltar, mas cuidado com a força!

3) A barra dupla é mais estável que a barra simples.

4) Cano usado: 50mm de água fria. Se for usado um mais fino, pode ficar mais instável.

5) Atenção às medidas! Se fizer a barra mais cumprida, pode ser que ela fique mais mole!

 

Espero que esse vídeo tenha ajudado vocês!

Se tiverem mais dúvidas é só deixar nos comentários!

Quem fizer a barra móvel, me marca no Instagram, que eu vou adorar ver!!!

Até o próximo post!

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Experimentando meus figurinos de ballet https://tutudaju.com/experimentando-meus-figurinos-de-ballet/ https://tutudaju.com/experimentando-meus-figurinos-de-ballet/#respond Fri, 08 May 2020 18:24:42 +0000 https://tutudaju.com/?p=1445 Oi pessoal! Quando eu experimentei um figurino antigo, vocês me pediram para eu mostrar outros. Então, gravei um vídeo para o canal, mostrando alguns dos meus figurinos antigos favoritos. Será que todos couberam? Para saber, deixo o vídeo do canal logo abaixo para vocês assistirem!   Fiz esse vídeo experimentando meus figurinos antigos de ballet, […]

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Oi pessoal!

Quando eu experimentei um figurino antigo, vocês me pediram para eu mostrar outros. Então, gravei um vídeo para o canal, mostrando alguns dos meus figurinos antigos favoritos. Será que todos couberam? Para saber, deixo o vídeo do canal logo abaixo para vocês assistirem!

 

Fiz esse vídeo experimentando meus figurinos antigos de ballet, de 2006 a 2015! Contei também a história de cada um! Espero que vcs se divirtam e gostem!

Todos eles eu dancei em apresentações de final de ano.

O primeiro deles, usei em 2009, na apresentação O Mágico de Oz. Esse figurino eu usei numa das épocas que eu estava mais magrinha na minha vida! Nem acredito que coube! Fiz também para o canal um vídeo usando ele dançando Tiny Dancer do Elton John. Vou deixar o link aqui para vocês assistirem!

O segundo, 2011, Vai começar a brincadeira. Foi a minha primeira dança com meninos. Esse meu figurino, quando eu recebi, veio trocado: a parte maior veio para frente e a menor para trás, mas voltou para consertar e ficou direitinho.

O terceiro, 2013, A Magia do Circo. Nós trocávamos de roupa durante a coreografia. Deu o maior nervoso, mas no final deu tudo certo e o público gostou bastante! A coreografia foi um sucesso!

Depois, 2015, um dos figurinos que eu mais gosto: Espanholas! Foi muito divertido dançar com castanholas. Também usei esse figurino para a vitrine de Natal da Ana Botafogo Maison

Depois, os figurinos mais antigos do vídeo de 2006 e 2007, também usados para dançar o ballet Giselle em 2008. O do segundo ato, tive um pouco de dificuldade de fechar o zíper sozinha por causa do tecido. Fui pedir ajuda para minha mãe e voltei.

Por último um figurino de 2012, que dançamos Tesouros do mar. A ideia inicial era que as duas turmas dançassem com duas cores diferentes, mas a figurinista fez apenas uma cor e dançamos assim mesmo!

EU AMEI gravar esse vídeo para vocês!

Até o próximo post!

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Pirueta na ponta – Exercícios para melhorar suas piruetas no ballet https://tutudaju.com/pirueta-na-ponta-exercicios-para-melhorar-suas-piruetas-no-ballet/ https://tutudaju.com/pirueta-na-ponta-exercicios-para-melhorar-suas-piruetas-no-ballet/#respond Wed, 29 Apr 2020 14:37:25 +0000 https://tutudaju.com/?p=1438 Oi gente! Hoje vim falar do assunto mais pedido da vida aqui no Tutu da Ju: piruetas! Quem me acompanha sabe que eu sempre tive muita dificuldade em girar, especialmente na ponta! Sempre tive MUITO medo! Mas, por causa da minha variação de Paquita, treinei o ano passado INTEIRO e venho melhorado MUITO! Agora, então, […]

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Oi gente!

Hoje vim falar do assunto mais pedido da vida aqui no Tutu da Ju: piruetas! Quem me acompanha sabe que eu sempre tive muita dificuldade em girar, especialmente na ponta! Sempre tive MUITO medo! Mas, por causa da minha variação de Paquita, treinei o ano passado INTEIRO e venho melhorado MUITO!

Agora, então, eu venho compartilhar alguns dos exercícios que venho fazendo e que tem me ajudado MUITO nesse processo! Eles vem me ajudado a perder o medo da pirueta, a girar com mais calma e mais tranquilidade. A minha pirueta dupla vem saindo com muito mais frequencia do que antes. Abaixo, vou deixar o vídeo que está no canal do YouTube e logo depois, a descrição por escrito.

 

 

Eu começo sempre dando uma aquecida nos pés de frente para a barra com relevés e rolamentos. Depois, testo o balance com relevés passés.

No centro, faço relevés passés com a intenção de ficar no passé 2 segundos.

Depois começo a introduzir o giro na quinta posição, fazendo tendu devant, plié, 1/4 de giro; depois 1/2 de giro, depois um giro completo.

Após, começo a fazer os giros de quarta. Faço apenas piruetas simples na quarta posição, depois duplas. Assim as minhas piruetas na ponta têm ficados mais limpas e bonitas.

 

O que tem me ajudado é sempre treinar! Treinar sempre um pouquinho cada dia, além de evoluir, tem me ajudado a superar o medo de girar. Quanto mais eu treino, mais o corpo entende que fazer pirueta na ponta não é perigoso. Fazer pirueta, ainda mais na ponta, é sim difícil! Mas a prática leva à perfeição! No ballet, nada vem do nada, mas com muito treino, podemos conseguir tudo o que quisermos! Eu sempre tive dificuldade com giros, especialmente na ponta. Tenho certeza que vai ajudar você também!!! Rumo à minha tripla pirueta perfeita na ponta! E quando eu conseguir, vou fazer mais vídeos aqui para o canal!

E esse foi o post de hoje!

Até o próximo!

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