Há algumas semanas eu recebi um direct de uma seguidora me perguntando algumas dicas que eu poderia dar para ela para poder ajudar uma aluna que iria dançar um festival importante no seu estado. Eu enviei como resposta algumas dicas muito legais e decidi transformar esse conteúdo em um post aqui no blog porque eu acredito que vai ajudar muita gente também. Toda bailarina que almeja ser profissional um dia vai precisar passar por essa etapa dos festivais e competições e, muitas delas dão premiações importantes, como por exemplo, bolsas em escolas internacionais. Participar de um evento como esse pode mudar para sempre a vida e a carreira de uma bailarina.

As dicas de hoje vão muito além da técnica, mas de qualquer coisa que pode te fazer ponto com os jurados, dentro daquilo que na minha vivência com o ballet vejo acontecer bastante. Vamos a elas. Releia quantas vezes quiser e, se achar necessário, anote! Esse post é para ajudar mesmo!

1. Esteja atento à idade do bailarino

esmeralda

A idade nas competições de ballet clássico não vai servir apenas para dividir os bailarinos em categorias, mas também para adequá-los às coreografias. Vou explicar. Quando dançamos um ballet de repertório, dançamos uma história que foi criada há séculos e interpretamos um personagem. E, por vezes, esse personagem tem certos atributos, características que são inadequadas a uma certa idade. Por exemplo: se falarmos de uma Esmeralda, de uma Odile (cisne negro do Lago dos Cisnes), de uma Medora (do Corsário), são personagens sedutoras. E, criança não seduz ninguém. Alguns jurados levam a sério essa questão com uma certa razão de ser! Então, na hora de escolher uma variação para você ou para um aluno seu, leve em consideração esse aspecto, pois os jurados podem sim tirar pontos por esse motivo.

2. Avalie se há uma lista de coreografias exigidas

Há certos festivais e competições que fazem uma lista de coreografias (tanto de ballet, quanto de contemporâneo) em que pode se escolher quais dançar por categoria. Isso é muito comum nos festivais internacionais. Esteja atento se esse é o caso do evento em que você ou o seu aluno vai dançar!

3. Avalie se o figurino realmente condiz com o personagem

roc-giselle-yuriko-kajiya-peasant_1000

Não somente os gestos, a música e a coreografia contam a história, mas o figurino também tem esse importante papel. Por isso, é MUITO IMPORTANTE que ele realmente seja condizente com o personagem. Exemplo: se a personagem for uma camponesa e o figurino tiver muito brilho, isso é contraditório e não passa a ideia que a personagem é realmente uma camponesa. Parece besteira, mas os jurados reparam sim nesse quesito!

4. Tatuagem: é proibido mesmo?

Aqui vale o bom senso: você está dançando um ballet de repertório? Então, neste caso, pense que você não é “você”, mas uma camponesa, uma fada, uma princesa de uma história criada em meados do século XIX (a maior parte dos ballets de repertório são dessa data). E, não! Essas personagens não usavam tatuagens! Pelo menos, não nos ballets. Então, como regra, para dançar repertório, esconda as tatuagens que forem aparentes com base.

Se for uma coreografia livre, uma apresentação de final de ano, vale o que for combinado com o grupo. Se você for uma pessoa tatuada, é claro que pode dançar ballet. Mas atente a essas regrinhas dos ballets de repertório em festivais. Já falei um pouco disso inclusive no vídeo sobre uniforme do ballet.

5. Limpeza e adequação de nível técnico

É claro que eu não poderia deixar de falar da técnica nesse post. Ela não é o único critério para se escolher uma variação e nem o único que os jurados utilizam para avaliar. Mas, é muitíssimo importante sim! Será que o seu aluno ou você estão prontos para dançar a variação escolhida? Quem dança deve ser sim capaz de dançar todos os passos da variação. É claro que existem versões e algumas adaptações. Mas cuidado se aquela adaptação não fere a coreografia. Isso é para os festivais e competições.

Mas, se o caso é só uma pequena apresentação de final de ano para incentivar o estudo das alunas, certas adaptações são possíveis. Cabe analisar caso a caso.

Outro detalhe é a limpeza dos movimentos: cada passo deve ser feito com clareza, sem “sujeiras” e, para isso, as repetições são muito importantes, bem como treinar muito os passos de ligação (aqueles que ligam um passo a outro).

6. Interpretação artística

Nós bailarinos não dançamos apenas para fazer o passo correto, mas para passar uma emoção e interpretar personagens. O que eu quero passar com aquela coreografia? O que aquele personagem está sentindo naquele momento? Ballet não é dançar com cara de paisagem e não é só sorrir o tempo todo! Uma willi no segundo ato de Giselle não sorri! Não faria sentido!

Portanto, você deve transmitir isso para os jurados que, com certeza, é um diferencial além da técnica.

 

E essas foram as dicas de hoje!

Se elas ajudaram você ou os seus alunos, repasse para ajudar ainda mais gente!

Até o próximo post!