Oi pessoal!

Dia 20 de novembro é conhecido como o dia da consciência negra em referência à morte de Zumbi dos Palmares, uma figura importante no nosso país que lutou muito pela liberdade e pela valorização do povo afro-brasileiro. Nem em todos os estados do nosso país esse dia é feriado, mas o fato é que, mesmo após MAIS DE 300 ANOS da morte de Zumbi, ainda vemos epsódios de racismo no nosso país, logo o nosso, que o seu povo é tão misturado!

Por isso, em homenagem a esse dia, escolhi falar aqui sobre DEZ bailarinos negros, entre eles, brasileiros ou não, que fizeram história no ballet e se destacaram pelo seus feitos! O intuito é fazer com que mais gente se inspire pelas histórias deles e que ninguém se sinta discriminado por qualquer motivo que for! Se formos atrás dos nossos sonhos, eles podem SIM se realizar e nunca deixem NINGUÉM dizer que não!

 

1. Consuelo Rios

Consuelo Rios se tornou uma das principais professoras de ballet do País, mas antes disso, fez parte de sua trajetória um acontecimento que poderia fazer qualquer um desistir de traçar um caminho na dança. Consuelo já tinha formação em educação física antes de se tornar professora de ballet e foi lançada como bailarina no Ballet da Juventude, nossa primeira companhia de ballet privada, em que Tatiana Leskova foi uma das professoras. Mais tarde, em 1945, Consuelo foi tentar concorrer às vagas do Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, mas não foi sequer aceita para fazer a prova, apesar da sua excelente técnica clássica, pelo simples fato de ser negra. Falaram para ela que as vagas já tinham acabado, quando na verdade, depois dela outras bailarinas tentaram a mesma prova e passaram.

Consuelo, então, não entrou no corpo de baile do Municipal, mas decidiu estudar MUITO para se tornar uma boa professora. Mais do que isso: se tornou uma das principais e melhores professoras de ballet que o nosso País já teve e por suas mãos passaram gerações de primeiras bailarinas e de bailarinas do Municipal e do exterior.

2. Mercedes Baptista

 

Mercedes Baptista foi a primeira negra a fazer parte do Corpo de Baile do TMRJ. Mercedes já sabia da história que sua antecessora, Consuelo Rios, já tinha passado, então, sabia da dificuldade que seria essa prova. Se Consuelo não era aluna da Escola do Municipal (era de fora) e “pôde” ser impedida de fazer a prova, Mercedes era aluna da escola e não poderia ser impossibilitada de fazer a prova. A prova foi muito difícil tecnicamente e mesmo assim Mercedes junto com Raul Soares foram aprovados e se tornaram os primeiros bailarinos negros a se tornarem parte do Corpo de Baile do Theatro Municipal em 1948, mais de 10 anos depois da sua criação.

A felicidade por ter sido aprovada em um concurso público e assinado o contrato como bailarina profissional era enorme. Mercedes só não poderia imaginar as dificuldades que enfrentaria no Corpo de Baile por causa de sua cor. Para ela, infelizmente, entrar no Corpo de Baile não iria significar se tornar uma bailarina atuante nos palcos. O primeiro passo para essa bailarina que já tinha trabalhado numa fábrica de chapéus tinha sido dado, porém ainda havia muitos outros passos a serem dados para mudar a história de muitos outros bailarinos que estavam por vir. De fato, Mercedes não foi tão atuante assim. Só participou de ballets nacionais pelo TMRJ e nunca de ballets de repertório. Dança, para ela, só as aulas da escola.

3. Katherine Dunham

Katherine Dunham foi uma dançarina afro-americana e teve uma carreira na dança de muito sucesso. Dunham abriu a sua própria escola de dança e ajudou a desenvolver a dança moderna, tendo como fonte de pesquisa a dança afro-caribenha. Katherine veio ao Brasil e foi com o seu ballet folclórico que a nossa Mercedes Baptista descobriu o seu caminho. Dunham veio ao Brasil para se apresentar com seu grupo e através do Teatro Experimental do Negro conheceu a jovem dançarina. Depois de concorrida audição, Mercedes Baptista foi escolhida para estudar junto com a companhia da bailarina norte-americana durante um ano. Por causa das aulas que fez com Dunham, ganhou uma bolsa de estudos para estudar em NY e quando voltou ao Brasil fez sua própria academia de dança, criando o estilo afro-brasileiro.

Em 1945, Dunham abriu e dirigiu a Escola de Dança e Teatro Katherine Dunham , perto de Times Square, na cidade de Nova York. Sua companhia de dança recebeu três anos de estúdio sem aluguel por um admirador e patrono, Lee Shubert ; teve uma matrícula inicial de 350 alunos.

O programa incluiu cursos de dança, teatro, artes cênicas, habilidades aplicadas, ciências humanas, estudos culturais e pesquisa no Caribe. Em 1947, foi ampliada e concedida uma carta como a Escola de Artes Culturais Katherine Dunham. A escola foi administrada na ausência de Dunham pelo Syvilla Fort , um de seus dançarinos, e prosperou por cerca de 10 anos. Foi considerado um dos melhores centros de aprendizagem desse tipo na época. Mais tarde, escolas inspiradas por ela foram abertas em Estocolmo, Paris e Roma por dançarinos treinados por Dunham.

4. Arthur Mitchel

Aluno de Balanchine, Arthur Mitchell foi o primeiro bailarino afro-americano a dançar no New York City Ballet, onde foi promovido ao cargo de “principal dancer” (o que seria primeiro-bailarino), dançando vários papéis principais nos ballets. Mitchell nasceu em 1934 e dançou até 1966 e ajudou a fundar várias companhias de ballet. Mas, em 1968, após a morte de Martin Luther King Jr, Mitchell retornou ao Harlem, onde estava determinado a oferecer oportunidades de dança para as crianças daquela comunidade. Um ano depois, ele e seu professor, Karel Shook , inauguraram uma escola de ballet clássico. O Dance Theatre of Harlem (DTH) nasceu em 1969 com 30 crianças no porão da igreja em uma comunidade onde os recursos de talento e energia criativa estavam praticamente inexplorados. Dois meses depois, Mitchell havia atraído 400 jovens para assistir às aulas. Dois anos depois, eles apresentaram suas primeiras produções como uma companhia profissional.

No Harlem, o DTH criou uma explosão de oportunidades profissionais em dança, música e outras atividades relacionadas ao teatro. A escola tem um número extraordinário de ex-alunos que se envolveram com sucesso em carreiras como dançarinos e músicos, como técnicos em produção, encenação e figurino, e em administração de artes e instrução. Com esse sucesso, o DTH desafiou o mundo da dança clássica a rever seus estereótipos e revisar seus limites.

Outro feito de Mitchell conhecido no mundo da dança é a criação do ballet “Giselle crioulo”. Ele criou uma versão deste ballet em que se passa na Lousianna na década de 1840 e tem o elenco afro-americano.

Nessa mesma escola algumas bailarinas brasileiras negras também vão dançar como Ingrid Silva e Bethania Gomes.

5. Bethania Gomes

 

Bethania Gomes é uma bailarina brasileira que foi justamente dançar em Nova York na Dance Theatre of Harlem, a companhia criada por Arthur Mitchell. Ela começou a fazer suas aulas de ballet aos 9 anos devido a problemas ortopédicos. Mas não gostava, e se sentia acuada por ser a única menina negra na turma. Só que tudo mudou quando sua mãe, que era ativista do movimento negro, mostrou uma revista americana com fotos dos bailarinos do Dance Theatre of Harlem (DTH).

Desde então ela quis ser bailarina da companhia. Aos 13, ela entrou para a escola de dança do Theatro Municipal, no mesmo ano em que a companhia do DTH foi ao Brasil.  Uma de suas professoras a levou pra fazer uma master class com a companhia e foi quando conheceu pessoalmente Arthur Mitchell. Ela teve uma breve passagem no ballet do Municipal, onde passou pela primeira e mais árdua experiência de racismo.

No ano seguinte, foi viajar durante duas semanas para os EUA com um grupo de colegas e com uma de suas professoras, mas acabou ficando por lá. Foi atrás da DTH, fez uma audição para a escola e passou. Um ano e meio depois, ela e a companhia dançaram para Nelson Mandela durante uma turnê pela África do Sul. Ela inclusive chegou a ser primeira bailarina da DTH.

Bethania chegou a ser inclusive uma das professoras de Ingrid Silva.

6. Ingrid Silva

Bailarina brasileira, Ingrid começou a dançar aos 8 anos junto com seu irmão, Bruno, num projeto social perto da sua casa no Rio de Janeiro. No início Ingrid não via o ballet como profissão: ela não queria ser bailarina profissional logo que começou, mas via apenas a dança como qualquer outra atividade que ela fazia, como a natação e os outros esportes. Mas aos pouquinhos essa vontade foi se despertando. Ela, que chegou a dançar na Escola Estadual de Dança Maria Olewa, viu um cartaz do DTH e para lá fez audição com o apoio da sua professora. Hoje Ingrid dança na companhia do Harlem em Nova York há mais de 10 anos e já dançou em mais de 10 países!

Além disso, ela também foi embaixadora cultural nos USA, ministrando workshops na Jamaica, Honduras e Israel. Marcou presença nas revistas Glamour, Vogue e foi capa da revista Pointe. Participou do Brasil Foundation Gala em 2014, no Lincoln Center e foi destaque no filme Maré, Nossa História de Amor. Atualmente é embaixadora global da marca Activia.

Ingrid também criou o “EmpowHer New York”, uma plataforma para compartilhar histórias empoderar mulheres.

7. Bruno Rocha

Eu não achei foto do Bruno (se alguém achar, please!), mas ele deu um passo importantíssimo para o ballet! Ele foi solista do Centro Mineiro de Danças e foi do Corpo de Baile do Municipal desde os seus 16 anos! Foi o primeiro negro a ser primeiro bailarino no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Em 2003 ele fez o papel de Albrech (o papel principal masculino) no ballet Giselle ao lado de ninguém mais ninguém menos que Ana Botafogo! Depois dele nenhum outro negro ocupou esse posto no TMRJ!

8. Carlos Acosta

 

Carlos Acosta é um bailarino cubano, que já dançou com muitas companhias, incluindo o English National Ballet, Ballet Nacional de Cuba , Houston Ballet e American Ballet Theatre . Ele foi um membro permanente do The Royal Ballet entre 1998 e 2015. Em 2003, foi promovido a Artista Convidado Principal, uma classificação que reduziu seu compromisso, permitindo que ele se concentrasse em um cronograma crescente de apresentações e turnês internacionais.

Carlos Acosta já dançou ao lado de algumas estrelas da dança como Marianela Nunes e Tamara Rojo.

Ele comemorou sua despedida após 17 anos no The Royal Ballet, dançando sua última apresentação em novembro de 2015 em Carmen , na qual coreografou e estrelou.

Em 2016 fundou a sua própria companhia em Cuba a Acosta Danza.

Neste ano de 2019, Carlos Acosta foi nomeado como diretor do Birmingham Royak Ballet e assumirá a direção a partir de janeiro de 2020.

9. Misty Copeland

Misty Copeland é uma bailarina afro-americana do American Ballet Theatre (ABT), uma das principais companhias de ballet clássico dos EUA. Em 2015 ela foi promovida a “principal dancer” e se tornou a primeira negra a chegar a esse posto (o mais alto do ballet) nos 75 anos do ABT!

O curioso é que Ingrid começou o ballet aos 13 anos (considerado tarde para o ballet) e chegou ao posto mais alto aos 36!

O passo dado por Copeland é super importante porque ainda hoje muitas bailarinas negras nem chegam a ser primeiras bailarinas nas grandes companhias!

Hoje, Misty também já participou de filmes como “O Quebra Nozes e os quatro reinos” e já publicou alguns livros como o “Ballerina Body”! A história dessa bailarina é super inspiradora e daria para escrever MUITO mais por aqui!

10. Michaela DePrince

A história da Michaela DePrince é bem longa e com algumas tragédias mas com o final super feliz. Ela nasceu na Serra Leoa com vitiligo e perdeu seus pais biológicos na infância. Nessa época seu país passava por uma guerra civil. Seu pai foi baleado e sua mãe morreu de fome, quando, seu tio a largou em um orfanato. Seu apelido era “criança do demônio” e realmente acreditava que nada de bom poderia acontecer na sua vida. Até que um casal americano decidiu adotá-la junto com a sua melhor amiga. Quando chegou aos EUA, mostrou aos seus pais a capa de uma revista que guardava e demonstrou a eles o seu desejo de se tornar uma bailarina. Aos 5 anos começou a dançar, aos 10 já dançava 5 vezes na semana e hoje, desde de 2016, é solista do Dutch National Ballet na Holanda.

Em 2016 Michaela também publicou um livro chamado “O vôo da bailarina”, que deve virar um filme dirigido pela Madonna! Já estou ansiosa por ele!

 

É claro que eu poderia citar muitos outros nomes aqui e aprofundar mais as histórias; mas que estas aqui sirvam de inspiração e que sirvam para mostrar para todos que há lugar na dança para todo mundo SIM! Que muitos outros passos na dança sejam dados além desses!

 

Até o próximo post!